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Chavistas e oposição voltam às ruas e tensão aumenta na Venezuela

Por RFI

Chavistas e membros da oposição voltam a manifestar nesta quarta-feira (19), nas ruas de Caracas, diante do agravamento da situação política e social no país, em crise social e econômica. Muitos venezuelanos estão fugindo para o território brasileiro e fazem fila no consulado espanhol para tentar obter um passaporte europeu.

Na noite desta terça-feira (18), o presidente Nicolás Maduro anunciou a entrada em vigor do Plano Zamora, de caráter “estratégico especial, cívico-militar” para garantir a paz e a ordem dentro do país. Boa parte das estações do metrô amanheceram fechadas e os ônibus também estão parados.

O protesto da oposição pede a convocação de eleições presidenciais e a destituição dos juízes que anularam os poderes da Assembleia Nacional. Os opositores sairão de 26 pontos de Caracas, o que bloqueia praticamente todos os acessos da cidade. Os partidários do governo também decidiram sair às ruas e há o risco de confrontos entre chavistas e oposição. Segundo Diosdado Cabello, um dos líderes do chavismo, 60 mil motociclistas estarão nas ruas da capital para apoiar o governo.

As manifestações, que começaram em 01 de abril deste ano, já deixaram um saldo de seis mortos e mais de uma centena de pessoas foram presas durante os protestos. Nesta terça-feira (18), Nicolás Maduro informou que suspeitos de envolvimento em um complô contra o governo foram capturados.

De acordo com a ONG venezuelana Fórum Penal, desde 1 de abril 538 pessoas foram presas enquanto participavam dos protestos. Menos da metade foi colocada em liberdade. Pelas redes sociais, os opositores divulgam maneiras de se proteger da ação das forças policiais durante os protestos.

Pressão internacional

A pressão internacional continua forte. Luis Almagro, secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), lembrou o direito do povo venezuelano de se manifestar e afirmou que “é imprescindível para o país o rápido retorno à legitimidade e à institucionalidade”. Nesta semana, a chanceler venezuelana Delcy Rodriguez rejeitou o comunicado assinado por onze países, entre eles o Brasil, que exige o direito a protestos pacíficos na Venezuela.

Nessa semana, o Alto Comando Militar jurou lealdade ao presidente, que vem reforçando o que ele chama de “união cívico-militar.” Uma ideia é atrair os chavistas mais radicais para apoiá-lo. Maduro quer aumentar o número desses civis e armá-los com 500 mil fuzis.

Outra demonstração de que a situação interna do país está bastante grave é o êxodo de venezuelanos pelo mundo. Só no estado de Roraima, no norte do Brasil e fronteira com a Venezuela, mais de 12 mil venezuelanos já fugiram para o território brasileiro, de acordo com uma denúncia feita pela ONG Human Rights Watch. No país faltam alimentos, remédios e a população também sofre com a altíssima inflação.

Opositores na mira do poder

Além do governador Henrique Capriles Radonsky, que teve os direitos políticos cassados durante 15 anos, há outros opositores presos, como Leopoldo López e Antonio Ledezma. Nicolás Maduro pediu na noite de ontem que Julio Borges, presidente da Assembleia Nacional, de maioria opositora, seja processado.

Segundo Maduro, o opositor convocou abertamente um golpe de Estado e uma divisão da Força Armadas.Pelas redes sociais, circulam fotos de deputados opositores junto com o endereço de suas residências, o que colocaria em risco a integridade física dos parlamentares e de seus familiares.

 

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