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Venezuela Manifestação Violência

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Oposição convoca nova manifestação, após 3 mortos em protestos na Venezuela

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Gigantesca mobilização desta quarta-feira (19) nas ruas de Caracas contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro REUTERS/Carlos Eduardo Ramirez

A oposição venezuelana convocou para esta quinta-feira (20) um novo protesto contra o presidente Nicolás Maduro. A decisão é anunciada após a gigantesca mobilização de quarta-feira (19), que provocou confrontos por todo o país e a morte de três pessoas.


"Convocamos todo o povo venezuelano a se mobilizar", declarou o líder opositor Henrique Capriles, em entrevista coletiva da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD). "Contra a selvageria e a repressão, mais democracia. Quem tem razão e está ao lado da verdade não deve ter medo. Medo deve ter Maduro", reiterou Capriles.

Na chamada "Marcha de Todas as Marchas", a sexta realizada este mês, opositores saíram de cerca de 20 pontos de concentração em Caracas na quarta-feira. Assim como aconteceu nas manifestações anteriores, os protestos não conseguiram chegar ao centro histórico da capital, reduto chavista, onde milhares de seguidores de Maduro também se manifestavam.

A oposição também organizou protestos nos Estados de Zulia, Carabobo, Táchira, Mérida e Anzoátegui. Várias pessoas ficaram feridas na mobilização.

Três mortes durante os protestos

Durante os protestos de quarta-feira, um jovem de 17 anos morreu baleado. Ele foi atacado por motociclistas encapuzados que entraram em confronto com uma concentração de opositores no bairro de San Bernardino, em Caracas. Na cidade de San Cristóbal, oeste do país, uma jovem de 23 anos recebeu um tiro na cabeça e morreu durante um protesto. No início da noite, um membro da Guarda Nacional morreu em San Antonio de los Altos, subúrbio de Caracas, baleado por um franco-atirador.

Com os três óbitos de quarta-feira, sobe para oito o número de vítimas em três semanas de protestos da oposição para exigir eleições gerais e a saída de Maduro do poder, em meio a grave crise econômica e política que assola a Venezuela.

O dirigente chavista Diosdado Cabello acusou Henrique Capriles pela morte do guarda nacional. "Capriles e seu combo de assassinos estavam buscando mortos. Mas aqui haverá justiça, tenham certeza de que vai haver justiça", declarou.

Já o vice-presidente venezuelano, Tareck El Aissami, responsabilizou o presidente do Parlamento, o opositor Julio Borges, pela morte do jovem em Caracas. "Borges tem sido efusivo em sua mensagem de violência, de ódio e de intolerância. Deve ser responsabilizado por estes fatos, por incentivar um setor de venezuelanos e venezuelanas a enfrentar um outro setor de compatriotas."

Violências e panelaços

Os focos de violência e 'panelaços' persistiam em vários bairros de Caracas e em outras cidades da Venezuela durante a noite. Forças de segurança e manifestantes se enfrentaram na capital venezuelana, onde coquetéis molotov explodiram em uma autoestrada estratégica e em vários setores do oeste da cidade.

Quando se aproximava, com as mãos para cima, da barreira com que militares bloqueavam a passagem na autoestrada Francisco Fajardo, Capriles recebeu uma chuva de gás lacrimogêneo. Vários manifestantes fugiram, outros se jogaram nas águas do rio Guaire.

No bairro de El Paraíso, oeste de Caracas, moradores denunciaram saques em padarias, supermercados e cantinas. Manifestantes também levantaram barricadas e queimaram pneus em San Cristóbal.

Maduro promete resistir

Durante um comício no centro de Caracas, Maduro assegurou que deseja disputar eleições em breve para vencer o que chamou de "batalha" contra seu governo. "Temos que buscar fórmulas para ganhar definitivamente essa batalha em paz, eu quero ganhar essa batalha já. Eu quero que nos preparemos para ter uma batalha eleitoral pronta e total", disse o presidente.

Maduro também anunciou a prisão de 30 pessoas com supostos planos para deflagrar atos de violência durante a marcha da oposição em Caracas, onde também se manifestam milhares de seus partidários. Mais de 200 pessoas foram detidas nas manifestações anteriores.

O presidente venezuelano ativou uma operação militar e policial para, segundo ele, "derrotar o golpe de Estado", pelo qual responsabiliza "a direita apátrida venezuelana" e os Estados Unidos. A medida foi considerada pela oposição como uma medida intimidadora e de repressão.

Em Washington, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou que o governo de Maduro "viola" sua Constituição ao não permitir "que se escute a voz da oposição", algo que a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, considerou um "intervencionismo sistemático".

Mais cedo, o representante interino dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA), Kevin Sullivan, considerou como "infundadas e irracionais" as acusações de "apoio americano a um golpe na Venezuela, assim como o apoio a manifestações violentas".

(Com informações da AFP)