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Amazonas começa integração com o sul da América do Sul

Depois de 26 anos de Mercosul, o estado do Amazonas finalmente começa a participar do bloco.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires.

A distância geográfica do Amazonas com o resto dos países integrantes do Mercosul e a falta de uma conectividade direta funcionaram sempre como uma barreira invisível. Agora, a situação começa a mudar.

Desde fevereiro passado, um voo semanal direto da companhia aérea GOL entre Buenos Aires e Manaus começou a integrar o Amazonas com o sul da América do Sul.

Na prática, a ligação aérea se traduz em mais turistas, em mais comércio e, num segundo momento, em mais investimentos. Foi o que se imaginou em 2006 para a região Norte do Brasil, quando a Venezuela iniciou o seu processo de adesão ao Mercosul. Esse processo nunca se completou e a atual suspensão da Venezuela do bloco faz com que o Amazonas olhe agora para a Argentina.

"O governo do estado do Amazonas está à espera da melhora do ambiente político e econômico na Venezuela. Enquanto isso não acontece, evidentemente o estado vai fazendo a sua para-diplomacia com outros países. Se não for uma visão mais acima, mais para o norte, com certeza, será uma visão mais para o sul", explica à RFI o secretário executivo adjunto de Relações Internacionais do estado, Farid Mendonça.

Falta de integraçã, falta de negócios

Os números do Amazonas com o Mercosul são próprios de uma região que não se integrou até hoje ao bloco. Em 2016, a balança comercial do Amazonas com os países do Mercosul foi de apenas US$ 205 milhões, menos de 1% do comércio bilateral entre Brasil e Argentina, atualmente em US$ 22,5 bilhões.

Das mais de 500 empresas na Zona Franca de Manaus, apenas 3 são de capital argentino. Os humildes números revelam que a margem de crescimento é grande, como aponta Farid Mendonça da secretaria de Relações Internacionais do Amazonas.

"Acreditamos, pelo menos, num aumento de 50 a 60% do número de turistas argentinos na cidade de Manaus, no estado do Amazonas nos próximos dois anos. E também acreditamos num maior fluxo de comércio, num crescimento de, pelo menos, 20% em um ano", confia. "Eu classificaria essa nova fase como de uma grande importância estratégica para o Amazonas", define.

De costas para o sul

Oreni Braga, presidente da Amazonastur, a empresa estadual de turismo, admite à RFI que o Amazonas se dedicou à Europa e aos Estados Unidos e que se esqueceu dos vizinhos da América do Sul que agora quer conquistar.

"Nós estamos descobrindo que, na América Latina e no próprio Cone Sul, temos um fluxo turístico extremamente importante. É uma demanda reprimida que precisa conhecer os "Brasis" do Brasil que se conhece hoje. Nós estamos fazendo um trabalho para que esse argentino, assim como o americano e o europeu que já conhecem o Amazonas, descubra a riqueza, a cultura do estado, e o que a floresta amazônica oferece para o mundo", explica.

Demanda reprimida

A Argentina é o principal emissor de turistas estrangeiros ao Brasil. No ano passado, foram 2,1 milhões de argentinos. E quantos desses chegaram a Manaus? Ínfimos 3.248. O país não aparece nem entre os 10 principais emissores de turistas ao Amazonas, uma realidade que deve mudar rapidamente.

"Nossos trabalhos indicam que o nosso fluxo cresce de 12 a 15% a cada ano", revela Oreni Braga, que, durante a passagem por Buenos Aires, nesta semana, fechou um acordo com o governo da capital argentina para divulgar Buenos Aires em Manaus para os amazonenses enquanto Manaus tenta seduzir os portenhos.

"O amazonense não é diferente: sonha com o glamour do Tango e 'Mi Buenos Aires querido' está no seu imaginário. Com um voo direto, sem dúvida, vão conhecer até o frio na Patagônia, novidade para quem vive na Amazônia", prevê.

Voo da GOL faz a diferença

A consolidação do fluxo entre as duas regiões até agora desconectadas vai depender, no entanto, do aumento da frequência de voos. A GOL considera que um voo tem sentido se a sua ocupação se mantiver em, pelo menos, 80%. O retorno financeiro para a companhia acontece aos cinco ou seis meses de inaugurada a nova rota. No máximo, um ano depois. O sucesso da rota poderia atrair outras companhias.

"Um fluxo maior vai depender muito da ampliação da frequência entre Manaus e Buenos Aires. Isso vai depender também de como vamos trabalhar o mercado e de qual será a resposta dos operadores. Na verdade, quando a demanda reprimida se manifestar, a companhia vai ser obrigada a colocar novos voos", aposta Oreni Braga da Amazonastur.
 

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