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Donald Trump Viagem Escândalo

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Fragilizado, Trump realiza viagem de 8 dias por 5 países

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Donald Trump viajará por 5 países em 8 dias REUTERS/Yuri Gripas

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump inicia nesta sexta-feira (19) uma viagem por cinco países em oito dias. Ele visitará Arábia Saudita, Israel, Vaticano, Bélgica e Itália. A Casa Branca comunicou que, na viagem, o chefe de Estado "buscará unir muçulmanos, judeus e cristãos em um esforço para combater o terrorismo".


Pressionado por uma crise política que ameaça paralisar seu governo, Trump disse que as investigações sobre a suposta ligação entre sua campanha presidencial e a Rússia não passam de uma caça às bruxas

A avalanche de revelações que precedeu sua partida o colocou em uma posição delicada e reavivou dúvidas sobre a sua capacidade de desempenhar a função presidencial.

Os conselheiros do presidente imprevisível, de 70 anos, afirmam que seu estilo "amigável, mas franco" é uma garantia de eficiência nas relações internacionais. Trump, pouco simpático a viagens longas, será acompanhado por sua mulher Melania, até agora praticamente ausente nas atividades públicas.

Sua filha Ivanka e seu genro Jared Kushner, dois dos seus assessores mais próximos, também embarcarão no avião presidencial Air Force One.

O magnata do ramo imobiliário, que tenta ajustar suas incendiárias declarações de campanha, terá de explicar como seu lema favorito, a "América primeiro", é compatível com o multilateralismo.

"O presidente sabe que 'América primeiro' não significa 'Estados Unidos sozinhos', muito pelo contrário", declarou o general H.R. McMaster, seu conselheiro de Segurança Nacional. Mas, além da frase, muitas questões permanecem.

Discurso sobre o islã

A Casa Branca antecipa uma viagem "histórica", na qual o presidente irá ao encontro das três grandes religiões monoteístas - cristianismo, judaísmo e islamismo. Em Riad, onde chegará no sábado, Trump deverá se esforçar para marcar o contraste com seu antecessor, que despertou a desconfiança das monarquias sunitas do Golfo.

Um poderoso discurso contra o Irã xiita, silêncio sobre questões de direitos humanos e o provável anúncio de contratos de armas são os ingredientes para que a recepção seja boa.

Mas o presidente faz uma aposta arriscada ao pronunciar na capital saudita, para mais de 50 líderes de países muçulmanos, um discurso sobre o Islã. "Vou chamá-los a combater o ódio e o extremismo", prometeu antes da viagem, citando uma "visão pacífica da religião".

Em Israel, onde espera impulsionar um acordo de paz com os palestinos, Trump se reunirá com seu "amigo" Benjamin Netanyahu em Jerusalém e com o presidente palestino Mahmud Abbas em Belém, nos territórios palestinos ocupados.

Essa etapa será cercada de polêmicas, principalmente quanto a organização da visita ao Muro das Lamentações e a transmissão aos russos de informações confidenciais obtidas pelo aliado israelense.

O encontro com o papa Francisco no Vaticano terá um aspecto singular, uma vez que as posições dos dois homens são diametralmente opostas em questões como imigração, refugiados ou mudanças climáticas.

A Europa, onde Trump semeou confusão com declarações contraditórias sobre o Brexit, o futuro da União Europeia e o papel da Otan, será a última etapa de sua turnê com uma reunião cúpula da Aliança Atlântica em Bruxelas e outra do G7 em Taormina, na Sicília.

Até agora, Trump não reafirmou o compromisso dos Estados Unidos com o artigo 5 do tratado da Otan sobre a solidariedade do seu país em caso de agressão externa.

Viagem de Nixon em 1974

A percepção da viagem nos Estados Unidos também será crucial. Consciente de que a ameaça terrorista é uma questão de preocupação central, o presidente republicano espera voltar com compromissos concretos com seus aliados na luta contra o grupo Estado Islâmico (EI).

Mas, quaisquer que sejam as impressões de sua viagem, não serão suficientes para fazer esquecer os casos que sacodem a presidência em Washington.

Para Bruce Riedel, um ex-oficial da CIA e agora analista do Brookings Institution, uma comparação que naturalmente vem à mente é a viagem ao Oriente Médio em 1974 de Richard Nixon, que esperava um sucesso diplomático "para desviar a atenção do escândalo Watergate".

"Isso não funcionou, a imprensa americana se concentrou implacavelmente sobre o Watergate, tratando a viagem como um acessório, enquanto as revelações continuavam a se acumular", lembra.