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EUA: novas revelações sobre genro de Trump e Rússia complicam situação do presidente

Reportagens do Washington Post, do New York Times e da Agência Reuters revelaram que o genro do presidente dos EUA, o empresário Jared Kushner, o principal conselheiro do republicano na Casa Branca, teria sugerido a abertura de "negociações secretas" com o Kremlin, antes mesmo de Donald Trump ser eleito.

Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

A informação que veio à tona neste fim de semana consta em um vazamento da investigação do F.B.I. sobre as tentativas da Rússia de manipular as eleições do ano passado. A gravação revela que o embaixador do país nos EUA, Sergueï Kislyak, teria dito ao governo Vladimir Putin, que Kushner, marido de Ivanka Trump, buscava a abertura de um "canal" de comunicação secreto com os russos. O contato teria ocorrido em dezembro.

O objetivo seria manter conversas com o Kremlin que não seriam registradas pela inteligência americana. O FBI, no entanto, estava monitorando as ligações da embaixada com Moscou e descobriu a história quando interceptou uma conversa do embaixador tratando do tema casualmente com o Kremlin.  Uma das suspeitas mais graves é a de que a Rússia teria oferecido favores financeiros em troca de influência política na nova Casa Branca.

Do ponto de vista legal, a iniciativa de Kushner depende exclusivamente do conteúdo do que foi discutido entre Kushner e os russos nas conversas de dezembro. O tal canal secreto, aparentemente, não chegou a ser estabelecido, até porque o embaixador Kislyak se disse chocado com a ideia do uso da embaixada russa por um oficial de destaque do futuro governo americano.

Uma das fontes ouvidas pela imprensa garante que entre os temas centrais estava a Síria e uma possível aproximação entre o general da reserva Michael Flynn, a escolha original de Trump para o importante posto de Conselheiro de Segurança Nacional, e o comando militar russo. Flynn caiu menos de um mês depois de chegar ao governo. Durante as investigações, descobriu-se que ele havia discutido temas considerados sensíveis para a segurança dos EUA com os russos. De lá para cá, Trump já foi acusado de vazar mais informações para a Rússia durante encontros com oficiais do país na própria Casa Branca.

Democratas buscam provas para comprometer Trump

A oposição democrata, claro, está de olho na derrubada de Kushner para enfraquecer Trump e questiona por que a Casa Branca não revelou o encontro de Kushner com o embaixador em dezembro e qual seria o objetivo do genro do presidente em estabelecer um canal secreto de comunicação com uma potência rival dos EUA. Ontem, deputados e senadores do partido afirmaram que irão exigir, nesta terça-feira (30), o fim de todas as prerrogativas de segurança dadas a Kushner desde que ele assumiu seu cargo em janeiro, o que, se aprovado pelo Congresso, seria uma enorme humilhação para Trump.

Os democratas também começam a falar, ainda que timidamente, da possibilidade de Kushner ter cometido crime de espionagem, uma acusação gravíssima e que poderia ferir de morte o governo Trump, já assombrado pelas tentativas dos democratas de encontrar provas de que o presidente obstruiu a Justiça em diversas ocasiões desde que assumiu o governo. Se comprovada, poderia iniciar um processo de impeachment.

Tuítes "irados"

O presidente dos EUA chegou no domingo (28) da reunião do G7 na Itália, onde esteve isolado, e reagiu com uma série de tuítes "irados", qualificando as revelações de “mentiras fabricadas”, dando a entender que a imprensa usa Kushner para atacá-lo. A Reuters seguiu com mais revelações, conseguindo depoimentos de pessoas ligadas à administração Trump, afirmando que seu genro contactou outras duas vezes com o embaixador russo, durante a campanha, em 2016.

Como se sabe, hackers russos, de acordo com a inteligência americana, invadiram os computadores do Partido Democrata o que levou a uma série de revelações desastrosas para a campanha da democrata Hillary Clinton. Kushner, é bom enfatizar, não é oficialmente investigado pelo F.B.I, e sim considerado “pessoa de interesse” no inquérito que busca encontrar conexões entre a campanha presidencial da então oposição republicana e Moscou.
 

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