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Acordo de Paris: Trump divide republicanos e une lideranças mundiais com saída dos EUA

O presidente americano Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (1) na Casa Branca a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o Clima, assinado em 2015 por 195 países. O republicano diz que o tratado é desvantajoso para Washington, fere a soberania nacional e favorece outras nações poluidoras. Mas parte do Partido Republicano, inclusive membros destacados da própria Casa Branca, foi abertamente contrária à decisão.

Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

Donald Trump afirmou ainda que irá apresentar uma contra-proposta, no que foi rebatido imediatamente por líderes da União Europeia. Estes afirmaram que não há negociação possível. O anúncio não foi exatamente uma surpresa, mas talvez seja o exemplo mais claro das conseqüências, para os EUA e o planeta, da eleição do magnata nova-yorkino para a presidência da maior potência do planeta.

Ontem, no Rose Garden da Casa Branca, Trump usou todo seu poder de comunicador para tentar explicar aos americanos porque o mundo todo está errado e ele, certo. Ele usou e abusou de tiradas como “governo para os eleitores de Pittsburgh, cidade industrial que tenta se reinventar como pólo tecnológico, e não para Paris”.

Ele buscou passar a imagem de campeão dos operários americanos, “que eu amo”, denunciando o acordo negociado pela administração Obama como um assalto à soberania nacional e um tiro no pé da indústria pesada americana, com um estudo mostrando que 2,7 milhões de postos de trabalho desaparecerão da economia americana por conta do Acordo de Paris.

Pelo acordo, os EUA teriam de reduzir em até 28% as emissões de gases causadores do efeito estufa até 2025 em relação a 2005. Sem mostrar números, o presidente disse que o Acordo de Paris oferece a maior transferência de riqueza dos EUA para outros países na história americana.

Uma renegociação do Acordo de Paris?

Trump vislumbra a possibilidade de alguma renegociação para os EUA se manterem no Acordo e se comprometerem, por exemplo, a reduzir emissões de gases em um ritmo menor, pois quer usar a queda-de-braço em torno do Acordo de Paris para ao mesmo tempo agradar aos conservadores e à direita do Partido Republicano, que sequer acreditam no aquecimento global como fato científico, e mostrar-se à opinião pública como um presidente forte, que defende os interesses americanos acima de tudo, exatamente como seu slogan de campanha afirmava, “América em primeiro lugar”.

O problema é que ele não combinou com o outro lado. Na reunião dos países do G7, na semana passada, na Itália, houve tamanha pressão para que Trump não retirasse os EUA do acordo que a chanceler alemã Angela Merkel resumiu o encontro em “um argumento de seis contra um”.

Merkel e o presidente francês, Emanuel Macron, reagiram ontem sem titubear: não há espaço para renegociação e o tratado não será alterado, ponto final. O ex-presidente Barack Obama, em rara manifestação política desde o término de seu segundo mandato, também criticou o que chamou de “rejeição ao futuro” anunciada ontem. A ONU e até o combalido governo brasileiro também reagiram lamentando profundamente a nova postura de Washington.

A reação dos democratas e das duas maiores economias internas

Os democratas reagiram de maneira irada, mas também prática. A oposição governa duas das três maiores economias dos EUA, Califórnia, que tem um PIB do tamanho da França, e Nova York, que, sozinha, produz tanto quanto o Canadá. Os dois governadores democratas anunciaram que irão manter as diretrizes estabelecidas pelo Acordo de Paris em seus respectivos estados.

O governador da Califórnia, Jerry Brown, foi além: ele embarca hoje para a China e anunciou que tecnologias ecologicamente corretas e energia limpa serão centrais na mesa de negociação com os chineses, interessados em investir no estado mais poderoso da federação americana. Pequim, aliás, busca aproveitar o vácuo oferecido pelo isolacionismo americano e anuncia hoje um acordo com a União Europeia voltado, na contramão das novas diretrizes apresentadas ontem em Washington, para acelerar a diminuição de uso de combustíveis fósseis e de poluição.

Há uma esperança de que um maior envolvimento da China diminua o impacto negativo da retirada americana de um dos maiores trunfos da diplomacia mundial nos últimos anos. E, em uma nota irônica, até o prefeito de Pittsburgh, a cidade citada por Trump, avisou que a segunda maior cidade da Pensilvânia irá, apesar do anúncio de ontem, seguir as diretrizes estabelecidas no Acordo de Paris em âmbito municipal.

A oposição que vem de dentro do próprio partido Republicano

Parte do Partido Republicano, inclusive membros destacados da própria Casa Branca, foi abertamente contrária ao anúncio e gostaria de evitar o que agora parece ser mais provável: as eleições de 2020 poderão ser um referendo em torno do tema do aquecimento global. É que há um tempo hábil para os EUA se readaptarem a novas diretrizes ambientais, diferentes das traçadas pelo governo Obama. E estas mudanças podem ser evitadas, na prática, se um outro candidato, e não Trump, vencer a disputa em três anos.

Também há eleições legislativas no ano que vem e pesquisas apontam que 58% dos eleitores que se identificam como republicanos são contrários ao isolacionismo no que diz respeito a políticas ambientais e de combate ao aquecimento global. Este mesmo isolacionismo preocupa o mercado, que teme a perda de milhares de postos de trabalho na área de energia limpa e tecnologia por conta da postura unilateral do governo Trump.
 

 

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