rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Mario Vargas Llosa Populismo Madri

Publicado em • Modificado em

Escritor peruano Vargas Llosa: "Populismo é doença da democracia"

media
O escritor peruano Mario Vargas Llosa EITAN ABRAMOVICH / AFP

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura, criticou nesta terça-feira (6) o populismo, que classificou de "doença da democracia". Ele apresentou na Casa América, em Madri, o livro coletivo "El Estallido del Populismo" (a explosão do populismo), com prólogo seu e coordenado por seu filho Álvaro.


Vargas Llosa reiterou seus argumentos contra o populismo, "um fenômeno mundial" que "enterra a democracia, destrói pouco a pouco as instituições e leva os países inevitavelmente a uma catástrofe econômica".

O autor de 81 anos, firme defensor do liberalismo político e econômico, mencionou a Venezuela como o caso "mais trágico", pois, segundo ele, se trata de "um país em que se morre literalmente de fome" e onde "a existência de um povo comum se vê ameaçada pela insensata política econômica que levou o país à beira do abismo". A opositora venezuelana María Corina Machad participa do livro.

"O populismo hoje viralizou", afirmou Álvaro, autor do primeiro capítulo, " O Caso Trump". Ele defendeu a edição como "um livro de combate" e englobou em sua definição de populismo o partido francês ultradireitista Frente Nacional, o presidente norte-americano, o chavismo, o castrismo, o partido espanhol de esquerda radical Podemos e o governo de Rodrigo Duterte nas Filipinas.

Cuba x Venezuela

A jornalista e dissidente cubana Yoani Sánchez, diretora do jornal digital 14ymedio.com, acusou as autoridades cubanas de ter feito da Venezuela "uma caricatura ruim" de seu sistema, promovendo ideias como "a estatização da economia" e "a estruturação do sistema ao redor de um homem".

No entanto, afirmou que, diferentemente de seu país, na Venezuela continua havendo "estruturas cívicas mínimas que têm permitido protestos nos dois últimos meses" contra o governo de Nicolás Maduro.

"No caso cubano, não vejo que possa ocorrer algo assim, porque a maioria de meus compatriotas preferem atravessar o mar com um tubarão do que com um policial", comparou Sánchez.

Entre os 16 autores de "El Estallido del Populismo", lançado na Espanha, estão o colombiano Plinio Apuleyo Mendoza e a ex-deputada conservadora espanhola Cayetana Álvarez de Toledo. Entre julho e agosto, o livro será comercializado em toda a América Latina.