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EUA: depoimento de ex-diretor do FBI complica situação de Trump

Os Estados Unidos vivem um terremoto político. De acordo com a maioria dos analistas, o depoimento do ex-diretor do FBI, James Comey, no Comitê de Inteligência do Senado na quinta-feira (8), foi ainda mais prejudicial para o presidente americano Donald Trump do que o esperado.

Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

O ex-diretor do FBI, demitido no começo de maio por Trump, acusou a Casa Branca, de forma calma e segura, de mentir sobre fatos importantes para a democracia do país. Ele também afirmou que o presidente tentou mudar os rumos da investigação da agência sobre as possíveis ingerências do governo russo na campanha presidencial republicana e a tentativa de Moscou de interferir na disputa entre Trump e Clinton, afim de proteger um amigo, o militar indicado pelo presidente para ser o principal conselheiro de Segurança Nacional do novo governo, o general de reserva Michael Flynn.

Em um momento considerado histórico, acompanhado por espectadores em todo o país, com transmissão ao vivo pelas principais emissoras de tevê, Comey acusou Trump de ter inventado histórias e praticado calúnia, algo inédito na história dos EUA.

Cenário complicado

O cenário ficou mais complicado para o governo americano. No total, foram quase três horas de um ex-funcionário público de destaque traçando um perfil nada positivo do presidente da República.

Comey afirmou com todas as letras que documentou as conversas privadas com o presidente da República porque “não confiava nele e queria anotar todos os detalhes para o caso de uma futura investigação”. Ele também acusou a administração Trump de mentir descaradamente sobre ele e o FBI para criar uma justificativa para sua demissão.

Para aumentar a dor de cabeça de Trump, ele fez questão de afirmar que foi demitido por conta de sua decisão de não interferir nas investigações relacionadas à interferência russa nas eleições americanas.

O líder dos democratas no Senado, Chuck Schummer, disse no plenário que as nuvens negras sobre o céu da Casa Branca ficaram mais escuras.

No entanto, Comey foi extremamente cuidadoso e, quando perguntado se o presidente, em sua opinião, havia cometido o crime de obstruir a Justiça, disse que esta era uma pergunta para o procurador independente destinado para o caso, Robert Mueller, e criticou o que classificou de abuso de poder.

Reação da Casa Branca

O advogado do presidente, Marc Kasowitz, deu a pista da estratégia da administração republicana, ao oferecer à imprensa uma declaração oficial enfatizando o fato de Comey ter garantido que Trump não é alvo de qualquer investigação federal. Também afirmou que Trump jamais pediu ou sugeriu a Comey que deixasse de investigar “quem quer que seja”.

Também partiu para o ataque, ao afirmar que Comey declarou guerra ao governo ao vazar documentos e conversas supostamente secretas após ser demitido, com o objetivo, declarado ontem, de influenciar o Congresso a aprovar a convocação de um procurador especial para o caso. Ou seja, os "trumpistas" buscam caracterizar Comey como um conspirador, que estaria reagindo ao ataque do presidente à elite da burocracia de Washington.

Continuidade das investigações do "Russiagate"

Quem estava no Senado na quinta-feira saiu com a impressão de que os ânimos se acirraram. Comey tentou armar algo como uma armadilha para Trump. Ao responder a uma questão sobre se o presidente - como o próprio Trump sugeriu em uma rede social-, gravou conversas com seu ex-diretor do FBI, Comey disse que não tinha nada a temer e que acharia ótimo se Trump divulgasse o áudio completo.

O ex-diretor do FBI também afirmou que, a esta altura, ele não tem dúvida alguma de que hackers russos foram os responsáveis pela invasão nos computadores do Partido Democrata durante as eleições, um sinal de que ele acha que as investigações, que podem ferir de morte o governo Trump, precisam sim seguir adiante.

Ou seja, se o presidente imaginou que demitir Comey diminuiria de alguma maneira a temperatura da crise que assola seu governo desde os primeiros dias, o resultado foi exatamente o oposto. Todos os olhos estão voltados para o procurador-especial Robert Meuller, que agora, inevitavelmente, terá de olhar mais minuciosamente para a Casa Branca, enquanto determina as perigosas ligações entre a Rússia e setores da vida pública americana.

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