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Trump diz que ex-diretor do FBI mentiu e que está pronto para depor sob juramento

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump © REUTERS/Kevin Lamarque

Donald Trump garantiu, nesta sexta-feira (9), estar "100% pronto" para testemunhar sob juramento a respeito da investigação sobre suas relações com a Rússia e negou ter pedido ao ex-diretor do FBI James Comey que encerrasse a investigação sobre seu ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn.

 


"Francamente, James Comey confirmou muitas coisas que eu havia dito, e algumas coisas que ele expôs não eram verdadeiras", comentou o presidente dos EUA em entrevista coletiva hoje na Casa Branca, referindo-se ao testemunho de Comey quinta-feira (8) no Senado.

Em uma mensagem mais cedo no Twitter, Trump afirmou que o testemunho do ex-diretor do FBI constituiu "uma confirmação total e completa" de sua versão dos fatos. "Apesar de tantos falsos testemunhos e mentiras, confirmação total e completa... e WOW, Comey é um vazador!", tuitou.

Em seu testemunho perante a Comissão de Investigação do Senado no dia anterior, Comey acusou o presidente de mentiras e difamação, mas confirmou que o republicano não estava pessoalmente sob investigação no caso da suposta interferência russa nas eleições americanas.

Para Trump, essa parte do testemunho confirma suas declarações no mês passado, apesar de manter em aberto a discussão sobre se atuou de maneira apropriada.

Momerando interno e confidencial

Mas a parte do tuíte em que acusa Comey de ser um "vazador" diz respeito às declarações de Comey segundo as quais, após sofrer pressões do presidente, decidiu redigir um memorando interno e confidencial que discutiu com seus assessores mais próximos.

No início de maio, quando Trump decidiu demiti-lo do cargo e utilizou o Twitter para ameaça-lo, Comey transmitiu o memorando a um amigo que o vazou para a imprensa.

Nesta sexta-feira, uma fonte da equipe jurídica da Casa Branca, que pediu anonimato, declarou que a presidência apresentará nos próximos dias uma denúncia formal ao inspetor-geral do Departamento de Justiça pela conduta de Comey.

"Também haverá uma denúncia formal ante a Comissão de Assuntos Jurídicos do Senado", acrescentou a fonte.

Desde sua chegada à Casa Branca, em 20 de janeiro, o governo Trump é alvo de vazamentos à imprensa de informações sensíveis do círculo íntimo do poder, e o próprio presidente já se queixou disso no Twitter.

Microfone aberto

Nesta sexta-feira, Trump receberá na Casa Branca o presidente da Romênia, Klaus Iohannis, e já nas primeiras horas do dia a presidência informou que os dois líderes participariam de uma coletiva de imprensa.

Essa será a oportunidade de Trump responder a perguntas e falar em primeira mão sobre o explosivo testemunho de Comey ante os senadores.

Em uma audiência de quase três horas na Comissão de Inteligência dessa Casa, Comey reafirmou que Trump lhe pediu para deixar em paz seu então conselheiro de Segurança Nacional, o general Michael Flynn. O assessor de Trump estava na mira de uma investigação do FBI sobre a ingerência da Rússia na eleição presidencial de 2016.

Comey reconheceu que Trump nunca lhe pediu para encerrar qualquer investigação sobre Moscou. Declarou, porém, que, quando o presidente lhe pediu para deixar Flynn tranquilo, interpretou isso como uma "ordem" de seu comandante em chefe.

Após a audiência pública, Comey e os senadores da Comissão de Inteligência fizeram uma reunião a portas fechadas para que o ex-diretor do FBI respondesse a outras questões que ficaram sem resposta na sessão aberta.

Desse caso dependerá o futuro da administração de Donald Trump, que tem tido dificuldades para concretizar as reformas prometidas.

A popularidade do 45º presidente dos Estados Unidos estava nesta semana em um nível historicamente baixo, com apenas 38% de opiniões favoráveis, segundo o Gallup.