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Trump suspende ingresso de transgêneros nas forças armadas

O secretario de Defesa americano Jim Mattis suspendeu por seis meses a medida que autoriza o ingresso de transgêneros nas Forças Armadas americanas. A decisão havia sido tomada na administração Barack Obama e entraria em vigor no último sábado (1).

 

Eduardo Graça, correspondente da RFI em Washington

Em Washington, muitas lideranças militares consideraram o ritmo dos avanços da administração Obama rápido demais para instituições rígidas como as três forças armadas e os fuzileiros navais. Uma semana antes de anunciar este adiamento, a Secretaria de Defesa havia recebido um pedido formal de vários líderes militares pedindo cautela e mais tempo para uma adaptação que eles temem ser mais complexa do que se espera.

Outras duas medidas de grande repercussão tomadas pelo governo Obama na reforma militar arquitetada pelos democratas foi o fim do embargo a certas posições de liderança de combate de guerra para mulheres e a nomeação, em 2015, do primeiro cidadão abertamente homossexual para comandar o Exército.

General nega discriminação

Em sua declaração, o general Mattis procura frisar que não há discriminação alguma e que até o momento não há uma decisão de se interromper definitivamente a possibilidade de transgêneros servirem as forças armadas dos EUA. No entanto, ele deixa claro que sua preocupação central será, nestes casos, em entender, a partir de estudos e relatos feitos pelos próprios militares, em como mudanças radicais como esta podem afetar a capacidade dos militares “de defenderem a nação”.

Grupos de defesa de cidadãos homossexuais, lésbicas, bissexuais e transgêneros, como o Palm Center, denunciaram o que classificaram como “perigoso retrocesso”. Eles lembraram que militares transgêneros foram repetidamente elogiados tanto por seus superiores quanto por militares de países aliados nos últimos doze meses. E afirmaram terem informação de que o general Mattis foi pressionado não apenas por outros oficiais militares mas também por grupos conservadores e congressistas direitistas aliados da administração Trump que se identificam como pró-família.

Ou seja, esta questão iria muito além dos limites das forças armadas americanas ou do conservadorismo do próprio general Mattis.O Pentágono garante que a decisão não vai prejudicar os militares de carreira que já se identificam como transgêneros no exército, marinha, aeronáutico e entre os fuzileiros navais americanos, de todos os gêneros, serão tratados de forma igualitária e respeitosa.

De acordo com o próprio governo há hoje cerca de 2.500 militares transgêneros servindo nas Forças Armadas americanas que, oficialmente, têm um contingente de 1,3 milhão de servidores na ativa. Estas pessoas, é bom lembrar, declararam-se abertamente transgêneros depois de já terem se alistado e iniciado carreira militar e apenas nos últimos anos. Há ainda, de acordo com números do Pentágono, 1.500 militares na reserva que se declararam transgêneros depois de deixarem o serviço ativo.

Punição severa

Até pouco tempo, militares transgêneros poderiam ser severamente punidos se descobertos por seus supeirores. Eles eram considerados portadores de desvio sexual grave. Até uma série de medidas do governo Obama, a primeira delas em 2011, com aprovação do Congresso, que pôs fim à política implantada na administração Bill Clinton conhecida como “Não pergunte, não conte”, os militares transgêneros não podiam sequer declarar a mudança de gênero ou, em muitos casos, a preferência sexual, por risco de serem expulsos peremptoriamente das corporações.

As decisões históricas do governo Obama, que incluíram serviço médico especializado para os transgêneros, iniciaram um processo de modernização das forças armadas mais poderosas do planeta que, temem analistas e especialistas no universo militar americano, pode sim ser interrompido pelo governo Trump.

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