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Novo teste de míssil norte-coreano aumenta tensão entre EUA e China

Por RFI

O novo lançamento de míssel balístico pela Coreia do Norte, desta vez com suposta capacidade de alcance que iria até o Alaska e Noroeste Pacífico dos Estados Unidos, deu um banho de água fria no relacionamento entre americanos e chineses.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Pequim

O país de Kim Jong-Un voltou para o topo da agenda entre a China e os EUA e pode prejudicar a sua reaproximação, depois das dezenas de acordos firmados entre ambos após a visita do presidente chinês Xi Jinping ao americano Donald Trump em abril. E deve estar na pauta da cúpula do G20, que começa nesta sexta-feira (7) em Hamburgo, na Alemanha. China e Estados Unidos têm visões bem diferentes para uma solução que contenha as ambições nucleares de Pyongyang.

o novo teste de Kim Jong-Un distancia os dois países que vinham tentando se aproximar nos últimos três meses, desde o seu encontro na Florida, onde assinaram diversos acordos para estimular o comércio e aumentar a cooperação entre os dois lados. Na quarta-feira, o presidente americano voltou ao Twitter para criticar a China. Disse que o comércio entre o país e a Coreia do Norte havia crescido 40% no primeiro trimestre e deu a entender que isso atrapalha os esforços conjunto que vinham sendo discutidos.

A Coreia do Norte está sob fortes sanções e tem na China seu último aliado. Mas existe uma grande expectativa em torno do novo encontro entre Xi e Trump nos próximos dias na Alemanha, à margem da cúpula do G20. Esta será a segunda reunião cara a cara entre os dois. O tema é importante e ambos já haviam se comprometido a trabalhar em conjunto em busca de uma solução. O problema é que eles têm visões muito diferentes de como conter as ambições nucleares de Pyongyang.

O líder norte-coreano Kim Jong-un diz que o teste completou o arsenal de armas estratégicas do país, que inclui bombas atômicas e de hidrogênio e ICBMs e que não vai negociar com os Estados Unidos para abrir mão das armas até que Washington abandone a política hostil contra o seu país.

Suspensão por suspensão

Os Estados Unidos dizem não descartar nenhuma opção, nem mesmo uma intervenção militar. Já a China voltou a insistir essa semana por meio de seu embaixador na ONU e do porta-voz em Pequim ser contrária ao uso de força e que intervenção militar não é uma opção. E reiterou que os testes norte-coreanos são inaceitáveis e que o país deve respeitar as resoluções da ONU.

Essa semana, a China e a Rússia divulgaram um comunicado conjunto em que defendem a solução que já vinha sendo apresentada por Pequim de que os norte-coreanos suspendam seu problema nuclear e acabem com os testes e que os Estados Unidos e a Coreia do Sul também suspendam suas manobras militares conjuntas e desistam do THAAD, a base antimíssil que os dois países estão construindo em território sul-coreano. Este é o plano que a China tem chamado de suspensão por suspensão.

O comunicado foi divulgado poucas horas depois do novo teste de Kim Jong-Un pelos presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin após seu terceiro encontro cara a cara antes da cúpula do G20. A reunião dos dois líderes aconteceu em Moscou, onde Xi fez escala antes de partir para a Alemanha.

Muitos especialistas têm dito que a aproximação Rússia e China para este tema tem criado uma espécie de equilíbrio geopolítico diante da forte pressão americana. A China pede calma aos dois lados da crise na península coreana. Eles são norte-coreanos de um lado e sul coreanos com Estados Unidos do outro. Pequim já disse repetidas vezes que não quer o caos na região, que é sua vizinha. Vale lembra que o projeto do THAAD, a base antimíssil de americanos e sulcoreanos não tem qualquer apoio dos chineses, que consideram que o empreendimento é uma ameaça a sua segurança.

Assunto é destaque no G20

A expectativa agora é saber como o tema Coreia do Norte será incluído num comunicado conjunto do grupo. Estados Unidos e seus aliados estão sem paciência para Pyongyang. A China tem uma aliado de peso na Rússia. Foi confirmado nesta quinta-feira (7) um encontro entre o presidente russo Vladimir Putin e o americano Donald Trump na Alemanha, à margem da cúpula do G20. A questão norte-coreana pode até ofuscar o encontro de líderes na Alemanha. E, quem sabe, não pode ofuscar também as fragilidades do Brasil, já evidenciadas com as idas e vindas do Palácio do Planalto, que quase cancelou algumas vezes a ida do presidente Temer ao encontro.

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