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União Europeia pede para Venezuela suspender Constituinte. Brasil se une ao coro

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Federica Mogherini, chefe da diplomacia da União Europeia, em coletiva de imprensa em 17 de julho de 2017 REUTERS/Francois Lenoir

A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, pediu nesta segunda-feira (17) ao governo venezuelano que suspenda a convocatória para a Assembleia Constituinte, que ameaça aumentar as tensões e a violência no país. Brasil também pediu o cancelamento "em nome da vontade do povo".


"A violência já tirou muitas vidas e ameaça aumentar antes da Assembleia Constituinte", advertiu Mogherini em uma conferência de imprensa em Bruxelas, após uma reunião de ministros de Relações Exteriores do bloco.

"Uma ampla maioria da população parece claramente não respaldar a Assembleia Constituinte", observou. Sua convocatória "ameaça polarizar ainda mais o país e aumentar os confrontos", disse, acrescentando que "seria útil que o governo busque gestos políticos para reduzir as tensões, criar melhores condições para retomar o trabalho por uma solução negociada da crise. "Suspender o processo da Assembleia Constituinte seria um gesto importante", sugeriu Mogherini.

Questionada sobre a possibilidade de sanções europeias contra a Venezuela, Mogherini indicou que "todas as opções estão sobre a mesa para considerações políticas".

Brasil se une ao coro

O Brasil também pediu nesta segunda-feira ao governo venezuelano que cancele a convocatória à Assembleia Constituinte. As regras da Constituinte "violam o direito ao sufrágio universal e ao próprio princípio de soberania popular", afirmou a chancelaria brasileira em um comunicado.  "O elevado nível de participação no plebiscito organizado ontem, dia 16, pela Assembleia Nacional, foi mostra inequívoca da vontade do povo venezuelano de pronta restauração do estado democrático de direito no país", acrescentou o Itamaraty.

O governo americano elogiou o nível de adesão popular na consulta simbólica organizada neste domingo pela oposição na Venezuela, cujo resultado considerou ser uma mensagem "inconfundível" contra o governo do presidente Nicolás Maduro. "Felicitamos os venezuelanos pela enorme participação no plebiscito de ontem", disse o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, acrescentando que o governo americano "condena a violência de valentões do governo contra eleitores inocentes".

Segundo a coalizão opositora venezuelana Mesa de la Unidad Democrática (MUD), cerca de 7,2 milhões de venezuelanos votaram no domingo em um plebiscito contra o presidente Nicolás Maduro e sua convocatória para uma Assembleia Constituinte, cujos integrantes serão eleitos em 30 de julho.

As manifestações contra o governo de Nicolás Maduro já deixaram 96 mortos desde 1° de abril deste ano. No domingo (16), uma mulher morreu e outras três pessoas ficaram feridas em um ataque com armas de fogo contra opositores que votavam no plebiscito simbólico contra a Assembleia Constituinte.

Oposição se organiza depois de plebiscito

A oposição venezuelana, animada com a participação de 7,2 milhões de pessoas no plebiscito simbólico de domingo contra o presidente Nicolás Maduro, começa a definir nesta segunda-feira sua estratégia para intensificar o movimento de protestos e frear a eleição da Assembleia Constituinte.

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) quer agora delinear a ofensiva final em seu objetivo de tirar Maduro do poder, depois de quase quatro meses de protestos.

"A Venezuela disse claramente: não queremos uma Constituinte fraudulenta e imposta. Não queremos ser Cuba", afirmou Julio Borges, presidente do parlamento dominado pela oposição, ao confirmar os dados sobre a participação de domingo.

A consulta da oposição contou com o apoio das Nações Unidas, da Organização de Estados Americanos (OEA), dos Estados Unidos e de governos da América Latina e Europa. O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, pediu que se assuma que uma maioria rejeita a tentativa de Maduro de redigir uma nova Constituição, enquanto que os governos da Espanha, Alemanha, Canadá e México pediram ao presidente venezuelano que reconsidere sua convocação e busque uma saída negociada para a crise.

O plebiscito simbólico teve como observadores os ex-presidentes Jorge Quiroga (Bolívia), Vicente Fox (México), Andrés Pastrana (Colômbia), Laura Chinchilla e Miguel Ángel Rodríguez (Costa Rica), que pediram à comunidade internacional que pressione para que "a Constituinte golpista" seja anulada.

A oposição convocou uma greve cívica nacional de 24 horas na próxima quinta-feira (20) para pressionar o presidente Nicolás Maduro a retirar a convocatória.

Governo considera plebiscito "uma fraude"

O governo venezuelano chamou de "fraude" o plebiscito simbólico da oposição contra o presidente Nicolás Maduro e advertiu que o seu resultado não irá deter a Assembleia Constituinte.

"Acaba de ser superada a maior fraude da história da Venezuela", disse o chefe de campanha da Constituinte, Jorge Rodríguez, em coletiva.   

O dirigente comparou a votação de domingo com as assinaturas recolhidas pela oposição em 2016 para convocar um referendo revogatório contra Maduro, que o poder eleitoral suspendeu por supostas irregularidades.

(AFP)