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Muitos haitianos ignoram a passagem do furacão Irma

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A família Desir espera poder ser levada para um abrigo antes da chegada do furacão Irma, no Cabo Haitiano, em 7 de setembro de 2017. HECTOR RETAMAL / AFP

O devastador furacão Irma, de categoria máxima (5), passava ao largo do litoral norte da República Dominicana no início da tarde de quinta-feira (7) pelo horário de Brasília. No Haiti, que também está na trajetória do furacão, muitos haitianos desconhecem a passagem do ciclone.


Da correspondente da RFI em Porto Príncipe, Amélie Baron

Em sua passagem pelas ilhas de St Martin, São Bartolomeu, Antígua e Barbuda, no Caribe, Irma deixou ao menos nove mortos e 21 feridos, de acordo com um balanço provisório.

Da República Dominicana, de acordo com as previsões mais recentes, Irma subirá em direção à Flórida, passando perto do Haiti, de Cuba, pelas Ilhas Turcas e Caicos (território ultramarino britânico) e pelas Bahamas, onde as autoridades promoveram a maior operação de evacuação preventiva da história do arquipélago. A capital, Nassau, deve ser atingida. Os efeitos das tempestades sobre o Haiti e Cuba ainda são incertos.

No entanto, quando Irma chegar ao litoral da Flórida, segundo Brock Long, diretor da Agência de Gestão de Emergências, o impacto será "realmente devastador". Segundo ele, a maioria dos moradores ao longo da costa nunca experimentou um furacão como esse. Brock lembrou que os Estados Unidos foram atingidos por furacões de categoria cinco apenas três vezes desde 1851.

Pescadores se preparam para a morte no Haiti

O Haiti enfrenta chuvas torrenciais nesta quinta-feira. A capital, Porto Príncipe, e todo o país estão em alerta vermelho, mas a costa norte é a mais ameaçada pela passagem do ciclone. No Cabo Haitiano, no extremo norte da ilha, nada foi feito pelas autoridades para proteger os mais vulneráveis.

A campanha para alertar os residentes de áreas de risco começou apenas na noite de quarta-feira (6). Em zonas do norte do Haiti, o fornecimento de luz é limitado a meia-hora ou no máximo uma hora por dia. Com isso, os haitianos não têm acesso à TV e nem conseguem carregar a bateria do telefone celular.

Irma deve provocar ventos fortes no Haiti. A maior ameaça para a população será a destruição dos telhados de barracos nas zonas mais pobres, feitos geralmente de palha e galhos de árvores. Entre os pescadores, existe uma grande resignação diante da falta de informação e de assistência do Estado.

Na quarta-feira, ao lado de seu pequeno barco, que ele criou ao cavar um tronco de árvore, Hilaire Félix estava ocupado consertando uma rede de pesca. Ele teve a idéia de sair ao mar, ignorando completamente a existência do furacão Irma. O fato de que ninguém na prefeitura ou no departamento de proteção civil o informou sobre "o monstro" não o surpreende.

"Quando um evento como este acontece, eles estão felizes porque coletam muito dinheiro. Dizem que vão ajudar os pobres, mas essa ajuda nunca chega até nós. E manifestar nunca funciona realmente para mudar as coisas", disse o pescador.

Ao seu lado, Josué Rosse também não espera nada das autoridades. Ele afirma que não irá deixar sua casa. Filósofo, Josué se prepara para a morte. "Vivemos do mar, não temos governo. Se eu tiver que morrer aqui, então vou morrer ", diz ele. "Os peixes confiam na água, mas é na água que eles estão perdidos. Não tenho medo de morrer no mar", concluiu.

Até ontem à noite, Josué não pretendia se refugiar. Ele não sabe onde os abrigos se situam, na área mais alta da cidade.

* Com agências internacionais