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Furacão Irma perde força mas ainda assusta americanos

Embora tenha chegado com menos força do que o previsto inicialmente, o furacão Irma, até a madrugada deste domingo (11), foi o responsável pela morte de pelo menos três pessoas na Flórida. Os ventos, de mais de 215 km/h, e as chuvas torrenciais, deixaram milhares de pessoas sem luz no estado que tem uma das maiores comunidades brasileiras nos Estados Unidos (EUA).

Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

Depois de ganhar uma dimensão assustadora no Caribe, onde a destruição do Irma foi muito pior, o furacão perdeu gradativamente a força depois de deixar Cuba, mas ainda assusta os americanos.

O centro da tempestade acabou rumando em direção à costa oeste do estado, no Golfo do México, fazendo os moradores da maior cidade da Flórida, Miami, que fica na costa leste, respirarem com algum alívio, apesar de ruas terem sido completamente alagadas.

Nas primeiras horas desta segunda-feira (11), o olho do furacão atingiu a cidade de Naples, na costa do Golfo do México, e o risco de um impacto maior em uma área densamente populosa, a vizinha Tampa, com a tempestade rumando para o norte, também não aconteceu.

Centenas de pessoas em todo o estado passaram a noite em abrigos e milhares deixaram suas casas e ocupam hotéis na região central da Flórida, mais longe das duas costas, ou em estados sulistas vizinhos.

A situação ainda é grave, as chuvas torrenciais devem seguir pelo menos por mais dois dias, mas é bem menos assustadora do que poderia ser. O furacão que poderia ter chegado aos Estados Unidos como uma tempestade tropical de categoria 5, diminuiu para 1 na manhã de hoje.

Ainda assim, quase 4 milhões de pessoas iniciaram a segunda-feira sem energia elétrica na Flórida, e foram confirmadas três mortes em acidentes de trânsito no meio da tempestade. Mas, se comparado com o que o Irma fez nos países caribenhos nos últimos dias, a Flórida foi bem menos castigada.

Trabalho de prevenção

O esforço de prevenção do governo estadual, com a evacuação mandatória ou opcional, dependendo da proximidade da costa, de milhares de cidadãos parece ter dado certo, embora muitos moradores tenham preferido ficar em suas casas. E especialmente se comparado com o que se viu há duas semana no Texas, com a situação caótica em Houston, com mais de 30 mil pessoas vivendo em abrigos temporários, o trabalho de prevenção parece ter sido um sucesso na Flórida.

Ainda não se sabe, no entanto, o número exato de casas destruídas e o montante final dos custos de reconstrução da infraestrutura danificada pelo furacão, já estimada na casa dos bilhões de dólares.

O presidente Trump autorizou ontem reembolso federal total e imediato para gastos de emergência na Flórida e anunciou que irá percorrer o estado, mas ainda sem data fechada. O que fica, até a madrugada de hoje, é uma sensação de alívio, de que Miami, por exemplo, não repetirá a tragédia de 1992, quando o furacão Andrew causou a morte de 65 pessoas, 125 mil casas foram destruídas na região metropolitana da cidade e 160 mil ficaram desabrigadas. Apesar da preocupação com a Flórida, o rastro de destruição do Irma foi muito mais intenso no Caribe.

O governo cubano agiu com rapidez e cerca de 1,5 milhão de moradores foram evacuados de habitações localizadas muito próximas da costa, especialmente em Havana. Mas 27 mortes já foram confirmadas na região e as piores situações são nas ilhas de St. Martin e Barbuda.

Em St. Martin, 95% da ilha foi destruída. Em Barbuda, 60% da população está vivendo em abrigos. Enquanto nos Estados Unidos o Senado já aprovou um pacote imediato de ajuda de US$ 15 bilhões para as áreas afetadas por furacões no Texas e na Flórida, boa parte dos países caribenhos aguarda ajuda externa para iniciar os esforços de recuperação.

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