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ONU vai investigar crimes contra humanidade na Venezuela

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Protesto em Caracas no fim de agosto REUTERS/Andres Martinez Casares

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos pediu nesta segunda-feira (11) uma investigação internacional sobre o uso excessivo da força pelas autoridades da Venezuela. O órgão considera que certas ações constituem "crimes contra a humanidade".


A decisão foi anunciada por Zeid Ra’ad Al Hussein na abertura da 36ª sessão da instituição, que começou hoje em Genebra. "Minha investigação sugere a possibilidade de que tenham sido cometidos crimes contra a humanidade. Peço ao Conselho que inicie uma investigação internacional sobre as violações dos direitos humanos na Venezuela", declarou.

Segundo o comissário, existe um "perigo real" de uma "escalada de tensões" e ações do governo venezuelano contra "instituições democráticas e vozes críticas", por meio de "procedimentos judiciais contra líderes da oposição, o recurso a detenções arbitrárias, o uso excessivo da força e maus-tratos aos detentos, o que em alguns casos se assemelha à tortura".

125 mortos em quatro meses

A Venezuela enfrenta uma grave crise política, econômica e institucional. Os confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes antigovernamentais deixaram 125 mortos entre abril e julho. Zeid destacou ainda que a Venezuela é atualmente um dos 47 Estados membros do Conselho de Direitos Humanos e tem, portanto, o dever de defender e promover os direitos humanos.

No relatório publicado em agosto, o comissário afirma que existe na Venezuela "uma erosão da vida democrática", que "apenas está viva, se ainda estiver viva". As autoridades venezuelanas rejeitaram a entrada no país dos investigadores da ONU, o que levou Zeid a solicitar a uma equipe de especialistas em direitos humanos que entrevistasse à distância 135 vítimas e suas famílias, assim como testemunhas, jornalistas, advogados, médicos e membros do escritório da Procuradoria-Geral.