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Temer venderá recuperação econômica do Brasil na Assembleia-Geral da ONU

O presidente Michel Temer chega na tarde desta segunda-feira (18) aos Estados Unidos para a abertura da Assembleia-Geral da ONU acompanhado de uma grande comitiva, que inclui os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. Com seu governo marcado por denúncias de corrupção e aprovação popular na casa dos 5%, o presidente tentará vender a imagem de que o país está no rumo certo no campo econômico, com a retomada de uma agenda de crescimento do PIB e de reformas vistas como positivas pelo mercado e investidores internacionais. 

Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

Além da abertura da Assembleia-Geral da ONU, na agenda de Temer estão um jantar, nesta segunda-feira, com o presidente americano Donald Trump e outros dirigentes sul-americanos, e um evento promovido pelo jornal Financial Times, “Investing in Brazil”, voltado para investidores americanos. 

No entanto, o Brasil não está no radar das prioridades de Washington e a agenda bilateral entre os dois países está suspensa desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. As crises política e econômica que assolam o país nos últimos anos prejudicaram a relação entre as duas maiores economias do continente.

No menu do jantar desta segunda-feira no Lotte Palace, um hotel de luxo localizado na Avenida Madison, em Midtown Manhattan, devem entrar pepinos para os dois lados. Brasília pressiona Washington para a reabertura do mercado americano para a exportação da carne brasileira in natura, fechado desde junho por conta das revelações da Operação Carne Fraca. E os Estados Unidos ainda não engoliram a decisão brasileira de voltar a cobrar tarifa sobre o etanol produzido aqui a partir do milho. 

Trump já deixou claro que vai defender este setor da economia americana, forte justamente em Estados importantes para uma eventual reeleição do republicano, como o Iowa. Além disso, há a certeza de que a administração Temer é, na melhor das hipóteses, um governo de transição, e que o melhor a se fazer é se esperar pelas eleições do ano que vem para se tratar de forma mais aprofundada com um presidente com legitimidade e força popular. 

No jantar desta segunda-feira também devem estar presentes os líderes da Colômbia e do Peru e o tema central deverá ser a situação política e econômica da Venezuela.

Grande comitiva brasileira

O presidente, que vai se hospedar no hotel Four Seasons, um dos mais luxuosos aqui da cidade, chega com uma grande comitiva. Estão confirmadas as presenças dos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e do secretário-geral do Governo, Moreira Franco, fiéis escudeiros de Temer. Também viajam o ministro da Justiça, Torquato Jardim, das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, da Fazenda, Henrique Meirelles, das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, dos Transportes, Maurício Quintella, e do Meio-Ambiente, José Sarney Filho. O chanceler brasileiro se encontrará com o subsecretário de Estado americano, Thomas Shannon, que foi embaixador dos Estados Unidos no Brasil durante o governo Obama. 

O presidente Temer abre - como é de praxe para os líderes brasileiros - as discussões na Assembleia-Geral da ONU na manhã de terça-feira (19) e deve fazer um discurso defendendo a agenda de reformas no Brasil e valorizando as instituições brasileiras em sua estreia no palco mais importante da diplomacia mundial. Ainda na terça, Temer se encontra às 17h com os chefes de delegação dos países-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na Missão do Brasil na ONU. 

Na quarta-feira (20), além de fazer o discurso de encerramento do evento do Financial Times voltado para investidores estrangeiros, o presidente brasileiro irá participar da cerimônia de assinatura do Tratado Sobre Proibição de Armas Nucleares, também na ONU. O presidente não confirmou entrevistas à imprensa brasileira durante a visita a Nova York, apenas uma exclusiva à agência Reuters, após o evento do Financial Times. A agenda modesta reflete o desinteresse de parceiros internacionais em um governo percebido como transitório. 

Primeiro discurso de Trump na ONU

Essa será a primeira vez que o presidente Donald Trump terá à sua disposição os holofotes da mídia planetária para seu aguardado primeiro discurso na ONU. Durante a sua campanha presidencial, ele tachou o organismo que reúne 193 nações de elitista, ultrapassado e ineficiente. E propôs cortar drasticamente o financiamento americano à ONU. 

Ele também é um opositor ferrenho do Tratado do Clima de Paris e deverá ser cobrado em relação à política ambiental americana. E a maior expectativa é claro, é a Coreia do Norte, que deverá aparecer com destaque no discurso de Trump

Também se aguardam posições da comunidade internacional em relação à crise humanitária no Mianmar, à guerra civil na Síria e à nova postura de Washington em relação ao Irã, bem mais linha-dura do que a da era Obama.
 

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