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Crise leva venezuelanos a adotar revenda de dinheiro vivo

A crise na Venezuela desencadeou a falta da emissão de dinheiro em espécie, popularizando uma prática proibida pelo governo: a venda de cédulas.

Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas

A alta inflação, a lenta emissão de novas notas por parte da Casa Moeda da Venezuela e o baixo limite de dinheiro em espécie distribuído nos bancos fez o bolívar, a moeda venezuelana, desaparecer do bolso da população. Os caixas eletrônicos liberam apenas 10 mil bolívares aos clientes, valor inferior ao preço de meio quilo de arroz.

A população evita ao máximo pagar em espécie. Há poucos meses, as novas notas da moeda venezuelana entraram em circulação, mas as cédulas fabricadas e distribuídas pelo Banco Central da Venezuela não suprem a demanda interna.

Além disso, com a desvalorização da moeda, a nota de 20 mil bolívares, que é a de maior valor, é insuficiente para comprar um dólar, cotado a 23 mil bolívares no mercado paralelo.

A contradição é que, embora o bolívar registre quedas diárias no mercado internacional e por conta da inflação, na Venezuela o dinheiro em espécie está sendo valorizado exatamente por conta da escassez da moeda.

Valorização do bolívar

Com a falta de notas em espécie surgiu a revenda de dinheiro, prática proibida no país. A transação é feita da seguinte maneira: quem tem dinheiro em espécie cobra até 35% a mais sobre o valor negociado para a venda e informa ao comprador os dados bancários para que ele faça uma transferência.

Para receber 100 mil bolívares por exemplo, o comprador do dinheiro em espécie precisa transferir 135 mil. Em geral, os vendedores são pessoas com acesso direto às notas da moeda venezuelana, como motoristas de ônibus ou proprietários de pequenos negócios. Com a falta de dinheiro em espécie, muitos profissionais também estão voltando a aceitar pagamento fiado – desde que pago por transferência bancária.

Contato entre governo e oposição

A data do encontro está marcada para o próximo 27 de setembro. Para dialogar, a oposição pede garantias de que haverá eleição presidencial no fim de 2018 e a liberação de quase 600 opositores presos.

O presidente Nicolás Maduro afirma que diversos encontros já foram realizados entre os grupos, o que a oposição nega.

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