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Mais de cem investigadores tentam desvendar mistério do atirador de Las Vegas

Continua o mistério sobre as motivações do atirador de Las Vegas, Stephen Paddock, que matou 59 pessoas e feriu mais de 500 no último domingo (1°) e se suicidou antes de ser abordado pela polícia. Mais de uma centena de investigadores se concentram nas peças de um intrigante quebra-cabeças deixado pelo agressor.

Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

Os policiais afirmaram na quarta-feira (4) que no apartamento do hotel de onde Paddock perpetrou o ataque foram encontradas 47 armas, milhares de cartuchos de munição e explosivos. Os investigadores acreditam que ele teria um plano de fuga e talvez estivesse até mesmo planejando outro atentado, já que no carro dele também havia uma grande quantidade de explosivos.

Para as autoridades, pelo tamanho da operação que o atirador montou ao longo de tanto tempo, é intrigante supor que ele não tenha tido nenhum tipo de ajuda, inclusive para carregar as dez malas para o 32° andar do hotel em que se hospedou em Las Vegas.

Os investigadores também revelaram que Paddock comprava armas desde 1982 e, no último ano, adquiriu 33, a maioria rifles - nos Estados de Nevada, Utah, California e Texas. Segundo a polícia, o agressor devia conhecer muito bem a legislação porque a lei de controle de armas, que data de 1968, exige que os vendedores relatem a venda de duas ou mais armas de mão para o mesmo comprador, somente se essas compras ocorrerem ao mesmo tempo ou dentro de cinco dias úteis.

Não existe uma lei federal que exija que os vendedores alertem as autoridades para a venda de múltiplos rifles em espaço de tempo maior que esse. Paddock também havia alugado uma casa, entre os dias 22 e 25 de setembro, perto de onde aconteceu um outro festival, também em Las Vegas.

Trump se nega a falar sobre controle do porte de armas

Na quarta-feira, o presidente Donald Trump visitou Las Vegas, onde, mais uma vez, não quis tocar no polêmico controle de porte de armas. Segundo ele, o país está de luto e não é ainda o momento de debater a questão. A Associação Nacional de Rifles (NRA), principal instituição pró-armas dos Estados Unidos, que apoiou a campanha eleitoral de Trump, também não se manifestou sobre o assunto.

Durante as quatro horas que passou em Las Vegas, o presidente americano e a primeira-dama, Melania Trump, conversaram com paramédicos e com pessoas que ajudaram a socorrer vítimas na noite de domingo. Eles foram também a um dos hospitais que ainda está tratando dos feridos e ficaram mais de uma hora em um encontro privado com várias vítimas e familiares.

Cerca de 170 pessoas ainda estão internadas e cerca de vinte correm risco de vida. O presidente tentou passar empatia - o que parece difícil pra ele, como aconteceu nas visitas após os furacões do Texas, Flórida e Porto Rico. Suas declarações de solidariedade soam falsas e não inspiram muita confiança.

Trump cumprimentou e agradeceu o trabalho de médicos e policiais e se disse orgulhoso de ser americano. Também declarou que a nação não deve ser definida pelo mal que ameaça os americanos ou pela violência que incita esse terror. Mas pelo amor, cuidado e coragem dos cidadãos dos Estados Unidos.

Depoimento da namorada do atirador

A australiana de origem filipina, Marilou Danley, a namorada de Stephen Paddock, chegou na terça-feira (3) em Los Angeles, de volta das Filipinas, onde estava desde o dia 15 de setembro. As primeiras declarações de seu advogado mostram sua surpresa em relação ao massacre.

Foi o próprio Paddock que comprou a passagem para que Marilou Danley visitasse sua família. Ele também teria telefonado à namorada para a informar sobre uma transferência de US$ 100 mil para que ela comprasse uma casa. Marilou declarou que, diante desta atitude, achou que Paddock estaria querendo terminar o relacionamento.

O advogado de Marilou leu uma declaração na qual ela se diz devastada, que Paddock era amável e silencioso, e que ela nunca percebeu nenhum indício de que ele seria capaz de fazer um ataque como esse, ou mesmo cometer algum ato violento contra alguém. A mulher se colocou à disposição para cooperar com as investigações e declarou que voltou aos Estados Unidos voluntariamente.

A polícia informou que ainda não avaliou o quanto ela pode saber, mas que nas próximas 48 horas espera obter mais respostas. A polícia segue interrogando várias pessoas que cruzaram o caminho de Paddock nas últimas semanas.

Hotéis reforçam medidas de segurança

Depois do massacre, várias redes de hotéis divulgaram que discutem novas medidas que incluem o uso de detectores de metal e aumento de pessoal pra ajudar na segurança nos estabelecimentos. No entanto, muitos especialistas em hotelaria acreditam que impor inspeções e pontos de segurança dentro dos hotéis pode prejudicar os negócios, já que os hóspedes buscam descanso e privacidade.

A verdade é que o fato de Paddock ter se hospedado no 32° andar com tantas malas, armas e munições intriga a polícia. Ainda não foi divulgada nenhuma informação se alguma câmera de segurança do hotel registrou o momento em que o agressor chega ao local, o que se espera que aconteça em breve.

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