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Informante do WikiLeaks diz ter medo desde que saiu da prisão

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Chelsea Manning foi condenada a 35 anos de prisão, mas cumpriu apenas sete. Facebook

A ex-informante do WikiLeaks Chelsea Manning afirmou, neste domingo (8) que tem medo desde que saiu da prisão, em maio. Mesmo assim, ela disse estar determinada a “combater” em diversas causas, especialmente a dos direitos dos transsexuais.


A soldado nasceu menino, com o nome de Bradley. Ela trocou de sexo durante o período de setes anos em que permaneceu atrás das grades por ter entregue mais de 700 mil documentos secretos dos Estados Unidos para o site WikiLeaks. Os documentos, entre eles 250 mil conversas diplomáticas, abordavam a participação do país nas guerras do Iraque e do Afeganistão. Condenada a 35 anos de prisão por uma corte marcial, a ex-analista de informática do Exército americano recebeu indulto do ex-presidente Barack Obama, pouco antes de o democrata deixar o cargo.

“Tenho medo. Se estou aqui, é porque tenho medo”, declarou Manning, durante um festival promovido pela revista americana New Yorker. “As pessoas me dizem: talvez você não devesse falar tanto em público. Mas é por isso que eu o faço, e não consigo me imaginar fazendo outra coisa hoje.”

Manning declarou que pensava que voltaria a ter uma vida normal depois de ser libertada. “Mas não é possível, e hoje percebo que isso não é ruim”, indicou. “As coisas são assustadoras hoje e eu não quero me retirar”, acrescentou.

Dados pessoais na internet

Ela avalia que, apesar do escândalo, que causou crises diplomáticas entre Washington e diversos países do mundo, inclusive aliados, não houve evoluções sobre o uso indiscriminado dos segredos de Estado. “Essa desculpa de que ‘isso vai nos proteger disso ou daquilo’ é tão utilizada como escudo [pelo governo] que acabou se tornando algo gigante, e cada vez mais preocupante”, assinalou.

Manning vai completar 30 anos em dezembro e está envolvida em alertar o público sobre a importância de se preservar os dados pessoais na internet. “Todo mundo espera que alguém vai resolver esse problema para a gente, mas a verdade é que ninguém vai”, observou.

Com informações da AFP