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Academia de Cinema dos EUA expulsa produtor acusado de estupros

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O produtor americano Harvey Weinstein é acusado de estupro e abuso sexual por mais de 30 atrizes de Hollywood. ROBYN BECK / AFP

Os dias de glória de Harvey Weinstein em Hollywood ficaram no passado. Em meio a um escândalo sexual que não para de crescer, o produtor americano foi expulso no sábado (14) pela Academia de Cinema dos Estados Unidos. A instituição premiou com 80 Oscars os filmes de seus estúdios.


Após uma reunião de emergência, a junta diretora da Academia votou por ampla maioria - mais de dois terços - a expulsão imediata do produtor de 65 anos, centro de um escândalo desde que o jornal The New York Times publicou em 5 de outubro uma matéria explosiva sobre seus abusos sexuais contra jovens atrizes e assistentes de produção.

"Não só nos distanciamos de alguém que não merece o respeito de seus colegas como enviamos uma mensagem para que termine a era de ignorância deliberada e vergonhosa cumplicidade em conduta sexual depredadora em nossa indústria", diz o comunicado da Academia de Cinema dos Estados Unidos. "O que está em jogo aqui é um problema profundamente preocupante que não tem espaço em nossa sociedade", acrescenta.

A Academia Britânica de Artes Cinematográficas e de Televisão (Bafta) já o havia suspendido na quarta-feira (11). Já o sindicato dos produtores (PGA) se reuniu no sábado para debater eventuais "procedimentos disciplinares" contra Weinstein.
   
O célebre produtor é o segundo membro da Academia de Cinema dos Estados Unidos a ser expulso. O ator de "O Poderoso Chefão II", Carmine Caridi, foi o primeiro, acusado de empresar fitas VHD dos filmes que concorreriam ao Oscar para um vizinho comerciante de filmes pirateados.
  
Denúncias de mais de trinta atrizes 

Desde que o escândalo veio à tona, mais de trinta atrizes - entre elas, Mira Sorvino, Rosana Arquette, Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie e Léa Seydoux -, disseram que foram vítimas das insinuações sexuais do produtor. As estrelas Asia Argento, Lucia Evans, Rose McGowan e uma outra mulher que permanece sob anonimato o acusaram formalmente de estupro. As polícias de Nova York e do Reino Unido abriram uma investigação contra ele.

Neste sábado, a atriz Lysette Anthony se tornou a quinta mulher a denunciá-lo por estupro. A britânica de 54 anos disse que conheceu Weinstein em Nova York e que depois teve uma reunião com ele em seu apartamento de Londres. "Ele tentou me beijar e me penetrar. No final, eu simplesmente me rendi", disse a atriz sobre o fato que aconteceu na década de 1980.

"Espero ter uma segunda chance"

"Preciso de ajuda, todos cometemos erros, espero ter uma segunda chance", disse Weinstein na quarta-feira a paparazzis em frente à casa de uma de suas filhas.

Mas o público americano não parece estar disposto a lhe dar este voto de confiança. Uma recente pesquisa revelou que 82% dos americanos eram favoráveis à expulsão do produtor da Academia. Já 70% disseram que ficariam "chocados" Weinstein não fosse penalizado.

O estúdio The Weinstein Company (TWC) - que o produtor fundou e que dirigia com seu irmão - não conseguiu ficar de fora do escândalo, apesar de a empresa tê-lo demitido. Bob Weinstein declarou que o TWC sobreviverá à crise e seguirá em frente com outro nome.
   
Harvey Weinstein levou aos cinemas filmes aclamados como "Chicago", "A Vida é Bela", "O Paciente Inglês", "O Artista", "O Discurso do Rei" e "A Dama de Ferro".
 

(Com informações da AFP)