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Venezuela : Maduro vence eleições regionais, mas oposição contesta resultado

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Eleitores fazem fila para votar em frente de local de votação em Caracas JUAN BARRETO/AFP

O CNE (Conselho Nacional Eleitoral) da Venezuela anunciou nesta segunda-feira (16) a vitória do presidente Nicolas Maduro nas eleições regionais deste domingo (15). A oposição se recusou a reconhecer o resultado, acusando o governo de fraude.


O partido de Maduro venceu em 17 dos 23 estados do país. De acordo com a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, a oposição ganhou em apenas cinco estados, apesar das pesquisas apontarem a vitória dos opositores em, no mínimo, 11. A participação no pleito foi de 61,14%. “É uma vitória clara. O chavismo se impôs nas eleições, com 17 governadores”, reagiu Maduro. O presidente pediu aos seus adversários que reconhecessem a vitória, enviando um “recado” ao presidente do Parlamento, Julio Borges. “Pelo amor de Deus, homologuem esses resultados, que são transparentes”.

Oposição contesta

A oposição não reconheceu a vitória dos chavistas, lembrando que o país passa por um momento “particularmente grave”. “O governo sabe que não tem a maioria e, para vencer, desrespeita as leis”, disse Gerardo Blyde, diretor de campanha da Mesa Unidade Democrática, a coalizão de oposição. Ele pediu uma “auditoria completa” do pleito. “O povo venezuelano e o mundo não vão engolir os resultados”, declarou.

O governo proibiu a participação de observadores internacionais. Neste domingo (15), diversos locais de votação ficaram abertos bem depois da hora de fechamento oficial, previsto para 18h, o que deixa dúvidas quanto à transparência do processo.

Governo perde estado-chave

A coalizão anti-Maduro perdeu Miranda, um estado importante no norte do país, considerado como um dos redutos da oposição. Até agora, o estado era dirigido por um dos líderes dos opositores, Henrique Capriles, que foi proibido de se candidatar pela Justiça, assim como um outro membro do partido, Leopoldo Lopez. O governo, por sua vez, perde os estados estratégicos de Zulia e Tachira, na fronteira com a Colômbia.

Nesta segunda-feira (16), Maduro declarou que os futuros governadores deverão prestar juramento na Assembleia Constituinte, caso contrário serão destituídos. A oposição rejeitou essa exigência.

Consequências no diálogo

Depois de uma onda de violentas manifestações, que deixou 125 mortos entre abril e junho, a Venezuela conhece um período de calma relativa, e apesar da pressão da oposição, Maduro continua no poder. Mas agora o resultado das eleições regionais trará consequências no diálogo entre governo e oposição, que voltou à estaca zero, na opinião do especialista em questões eleitorais, Eugenio Martinez. Segundo ele, os resultados impedem qualquer negociação política.