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Exposição com artistas brasileiras em Los Angeles mostra resistência feminina à ditadura

Mostra traz obras de 24 artistas brasileiras e de outros países da América Latina, no auge dos regimes repressivos na região, entre 1960 e 1985.

Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

O grito em forma de arte. Elas nasceram nas décadas de 1920, 30 e 40 e 50 e viveram a eclosão de ditaduras militares na América Latina, seguida da repressão que durou mais de 20 anos em alguns países. E foi por meio da expressão artística que denunciaram os diferentes tipos de violência que sofreram: discriminação racial, política, social e cultural.

Na entrada da exposição Mulheres Radicais: Arte Latino-americana de 1960-1985 - uma instalação multi-colorida intitulada Caixa de Fazer Amor pede a interação do espectador para girar a manivela e assim fazer pulsar o coração: uma celebração ao erótico e ao feminino com críticas às políticas da ditadura militar, que governou o Brasil de 1964-85. Essa obra da artista brasileira Terezinha Soares instiga a discussão do papel da mulher numa sociedade machista e violenta. É uma das 260, expostas no Hammer Museum, em Los Angeles.

Em quatro salas estão reunidos até dia 31 de dezembro os trabalhos de 116 artistas de 15 países – criações em vídeo, filme, pintura, poesia, fotografia, escultura: todas de mulheres, que fizeram do corpo um instrumento de arte e política.

É o retrato de uma época turbulenta, que ainda hoje é assustadora aos nossos olhos, e que contribui para que a gente entenda os sentimos daquela época. Apesar delas parecerem tão atuais e muitas inclusive representar o momento que vivemos.

Presença brasileira

Dentre essas obras, mais de 60 são de 24 artistas brasileiras, entre elas: Lygia Clark, Lygia Pape, Marcia X, Celeida Tostes, Letícia Parente, Martha Araújo, Vera Chaves Barcellos e Anna Maria Maiolino.

Anna Maria participa dessa coletiva com cinco obras - entre elas uma sequência de fotos com uma tesoura, como se fosse cortar a língua, o nariz, os olhos, o rosto. A artista, nascida na Itália, imigrou para a Venezuela ainda criança e depois para o Brasil, onde vive até hoje.

"Há toda uma parte conceitual e inclusive de resistência com as várias ditaduras que existiram. Há um compromisso político de luta dessas mulheres, como houve em várias manifestações do meio artístico também masculino. Essa exposição mostra tudo isso, a mulher como um ser político, poético. Aqui não é só uma questão de gênero, a exposição nitidamente mostra o que as mulheres foram capazes de fazer na América Latina e no Brasil".

Essa exposição, prevista para ir para Pinacoteca de São Paulo no final de 2018, faz parte do Festival Pacific Standard Time: LA/LA que quer aproximar a arte latino-americana de Los Angeles. Bem nesse momento que tanto se fala em um muro para dividir, várias atividades exaltam a arte dos países que ficam ao sul dos Estados Unidos. O festival acontece até janeiro de 2018 em Los Angeles e arredores – San Diego e Santa Bárbara também entram no roteiro. São mais de 70 eventos, em pelo menos onze exposições há a presença de artistas brasileiros.

Metáforas

Anna Maria Maiolino além de estar na mostra coletiva do Hammer Museu, está também no Museu de Arte Contemporânea (MOCA) com a primeira grande retrospectiva da artista brasileira em um museu norte-americano. O acervo reúne mais de 100 obras produzidas a partir dos anos 1960, feitas com diferentes materiais.

"O que eu espero sempre de uma exposição grande como essa, é que o público possa sair dela com algum ganho, alguma modificação. Porque o artista não controla quais são esses ganhos".

Para a abertura da exposição, Anna Maria repetiu uma performance que fez em 1981, quando andou descalça em uma rua de São Paulo, de olhos vendados, e no chão, várias dúzias de ovos. Intitulada "Entrevidas" era uma metáfora à época da ditadura militar, quando cada passo em frente, por mais que fosse cauteloso, poderia levar a destruição. Dessa vez foi o neto dela, o ator Gabriel Sitchin quem fez a performance.

"Então naquele momento, aquele trabalho que como outros foram feitos na ditadura militar, era uma necessidade real. Aí está o meu corpo no lugar de todos aqueles que sofreram. Em um dado momento da minha vida, eu tenho 57 anos de produção, (minha obra) teve teve resposta na política. A Anna que se toca com o sofrimento alheio, que tem um olhar sobre o mundo ou que escutas as vozes do mundo e do Brasil"

Em pouco mais de um mês a exposição já recebeu mais de 30 mil pessoas e vai ficar no museu de Arte Contemporânea, de Los Angeles, até 22 de janeiro de 2018.Maiolino ainda pode ser vista em outra exposição coletiva, aqui nos Estados Unidos. no Museu de Arte Metropolitan, de Nova York, na mostra Delirius.

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