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Volta de restrições balança relações entre Cuba e EUA

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Donald Trump, no dia 16 de junho de 2017 em Miami, durante o anúncio do fim da reaproximação entre Cuba e os Estados Unidos. REUTERS/Carlos Barria

As novas restrições da administração norte-americana visando Cuba entraram em vigor nesta quinta-feira (9). As medidas representam um retrocesso nas conquistas alcançadas durante o governo de Barack Obama após cinco décadas de tensões e embargo, e esfriam novamente as relações diplomáticas entre Washington e Havana.


Com informações de Romain Lemaresquier, do serviço Américas da RFI

As novas restrições não são nenhuma surpresa, pois já vinham sendo anunciadas desde junho passado, quando o presidente Donald Trump declarou sua intenção de realizar uma “ruptura simbólica” com relação à política de aproximação implementada por Obama. Porém, não se sabia exatamente em que consistiria esse afastamento. Mas desde que o departamento de Estado norte-americano publicou as medidas nesta quarta-feira (8), a posição de Washington se tornou mais clara: além das restrições nas viagens dos americanos para Cuba, a principal mudança será na economia.

Obama havia flexibilizado várias regras sobre as trocas entre os dois países. Porém, uma das primeiras medidas impostas por Trump é o bloqueio de qualquer negócio que possa “beneficiar o exército cubano, os serviços de inteligência e de segurança” da ilha comunista.

No entanto, ao afetar o exército, Washington atinge indiretamente toda indústria do turismo. Afinal, mesmo se boa parte dos grandes hotéis da ilha são administrados por empresas estrangeiras, eles ainda são controlados pelos militares. Resultado: os turistas americanos não poderão mais frequentar esses estabelecimentos (que representam 60% do setor) sem serem acusados de desrespeitar as restrições.

Investidores americanos também serão atingidos

Havana alega que além de atingir o setor do turismo cubano, as medidas também afetam as próprias empresas dos Estados Unidos, que não poderão mais investir na ilha. E o governo de Castro alerta que os americanos serão rapidamente ultrapassados pelos concorrentes de outros países, de olho no potencial das praias e do patrimônio histórico cubano, que atraiu quatro milhões de visitantes apenas este ano.

Além disso, a partir desta quinta-feira será novamente proibido para um cidadão norte-americano ir à ilha em férias ou até mesmo para negócios. A única forma de visitar o país quando se tem um passaporte dos Estados Unidos será no âmbito de uma viagem dita “cultural”. O dispositivo obriga os turistas a terem um “padrinho”, uma espécie de fiador baseado nos Estados Unidos. Prova do retrocesso, o sistema é semelhante ao que já estava em vigor antes do reaquecimento das relações entre os dois países.

Trump nunca escondeu suas intenções. Durante sua campanha eleitoral e mesmo depois de tomar posse na Casa Branca, o republicano demonstrou várias vezes sua vontade de se afastar de Cuba. Sempre provocador, em setembro passado, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente chamou o regime cubano de “corrompido e desestabilizador”, antes de dizer que “o socialismo e o comunismo levaram agonia, devastação e fracasso em todos os lugares onde foram aplicados”.