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Agência Standards & Poor's anuncia calote parcial da Venezuela

Por RFI

A agência Standards & Poor's anunciou hoje o calote parcial da Venezuela. A dívida externa do país está estimada em US$ 150 bilhões e o país dispõe de apenas US$ 9, 7 bilhões de reservas. O anúncio foi feito poucas horas depois da reunião entre os credores e o governo. A ameaça pairava há algumas semanas sobre o país.

Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

O risco para a Venezuela, que já foi o mais rico da América Latina, é o de ser afastado do mercado financeiro, assim como as ações de seu grupo petrolífero PDVSA. A Venezuela também pode ter seus ativos e filiais no exterior confiscados.

Ontem o governo começou o processo de renegociação da dívida, enfrentando um mercado nada interessado em dar fôlego para os bolivarianos. Não houve qualquer avanço digno de nota e não se sabe qual a nova estratégia do governo Maduro para evitar o colapso total.

Aliás, há uma situação especialmente delicada nas conversas com o mercado que deixa analistas ainda mais desconfiados das verdadeiras intenções de Caracas na mesa de negociações, a indicação do vice-presidente Tareck El Aissami para liderar as conversas. Os EUA, desde o início do ano, incluíram o vice em sua lista negra e ele está impedido, portanto, de tratar com qualquer instituição financeira americana, tornando sua tarefa praticamente impossível.

Novas sanções da UE

A situação da Venezuela se complicou ainda mais com o anúncio de que a União Europeia passa a adotar, a partir desta terça-feira (14), uma série de medidas restritivas contra o país sul-americano, entre elas a proibição de venda de armas para Caracas.

O puxão de orelha dos países europeus foi um golpe simbólico duríssimo para Maduro, que já sofre com sanções dos EUA e do Canadá. A justificativa de Bruxelas para a proibição de venda de armas para Caracas é a de que o governo está usando armamento pesado contra a oposição e grupos que protestam contra a implantação de uma Assembleia Constituinte vista como poder legislativo rival ao Congresso, dominado por forças anti-bolivarianas.

Os países da União Europeia pediram eleições gerais no ano que vem, inclusive para a presidência, tema central do encontro amanhã na República Dominicana. O governo Maduro respondeu dizendo que as medidas anunciadas pelos europeus são ilegais, absurdas e não terão efeito prático algum. Mas os representantes do governo venezuelano chegarão fragilizados à mesa de negociação amanhã por conta das notícias catastróficas da economia do país.

O objetivo, de acordo com os chanceleres europeus, é pressionar o governo de Nicolás Maduro, que tenta renegociar a dívida externa do país, a fortalecer a democracia e o respeito às leis. Na linha do que os EUA já fizeram, Bruxelas avisou que os próximos passos serão a retenção de bens e a cassação de vistos para autoridades venezuelanas.

Washington foi além e, desde a semana passada, proibiu cidadãos e empresas americanas de negociarem títulos da dívida emitidos por Caracas e por sua estatal petroleira, a PDVSA.

Queda do petróleo

Na reunião de ontem do poderoso Conselho de Segurança da ONU, a queda do preço do petróleo nas últimas três décadas foi um dos temas de destaque. Aliados de Maduro, a Rússia e a China boicotaram as discussões, esvaziando, na prática, a iniciativa dos EUA e dos países europeus, e dando algum fôlego aos bolivarianos.

No momento em que se debatia a situação da Venezuela na ONU, e se pintava um cenário de terra arrasada, com inflação anual se aproximando dos quatro dígitos, a escalada do aumento da pobreza, a falência dos serviços públicos e a falta de alimentos e remédios em supermercados e farmácias por todo o país, o embaixador do país na ONU, Rafael Ramírez, convocou uma coletiva de imprensa. Nela ele denunciou a reunião do Conselho de Segurança como um ato hostil de Washington e uma clara violação da soberania venezuelana.

Ontem, duas reuniões, em Caracas e na sede da ONU, trataram da situação precária do regime bolivariano. As negociações entre governo e oposição continuam amanhã na República Dominicana. Até o começo do dia de hoje, por exemplo, delegados da oposição sequer haviam confirmado que compareceriam ao encontro de mediação com os bolivarianos no Caribe.

 

 

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