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Chile Eleição Michelle Bachelet América Latina

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Eleição pode marcar volta da direita ao poder no Chile

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Sebastián Piñera e Alejandro Guillier (d), favoritos na corrida presidencial chilena, durante debate eleitoral. REUTERS/Ivan Alvarado

Mais de 14 milhões de chilenos foram convocados às urnas neste domingo (19) para escolher o novo presidente do país. Segundo as últimas pesquisas de opinião, após quatro anos de governo socialista de Michelle Bachetet, o Chile se prepara para uma guinada para a direita, com a possível eleição do bilionário e ex-presidente Sebastián Piñera, que aparece como favorito.


Uma das grandes incógnitas do pleito é o índice de abstenção, que pode favorecer ainda mais Piñera, já que o ex-presidente conta com um eleitorado cativo. Por essa razão, a atual chefe de Estado tenta mobilizar os eleitores até o último minuto, pois o voto não é obrigatório no país.

“Exerçamos esse direito cidadão, depois de tantos anos em que não tivemos direito de votar. Hoje podemos fazê-lo, e mais de 40 mil pessoas o farão fora do Chile. A abstenção não faz bem à democracia", discursou a presidente, fazendo também alusão aos chilenos que moram no exterior, que já começaram a votar neste sábado (18).

O voto no exterior, aprovado pelo Congresso em agosto do ano passado, é criticado pela direita opositora ao governo de Bachelet, que acredita que a maior parte desses eleitores têm afinidades com a esquerda ou exiliados da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). A chancelaria estima que fora do país vivem cerca de 857 mil chilenos, porém menos de 40 mil se inscreveram para votar.

Escândalo de corrupção beneficiou bilionário

Com uma fortuna de US$ 2,7 bilhões segundo a Forbes, Piñera, 67 anos, prometeu que, se chegar à La Moneda, o palácio presidencial, corrigirá a reforma tributária que Bachelet promulgou 2014, e que aumentou os impostos dos setores privados. Em meio à queda da popularidade da atual chefe de Estado após o escândalo de corrupção que envolveu seu filho mais velho, sua imagem de homem próspero voltou a agradar o eleitorado chileno, que hoje o tem, com 34,5% da preferência, como favorito.

Já seu provável rival no segundo turno, o senador independente Alejandro Guillier, é um conhecido jornalista de 64 anos, que promete continuar a obra de Michelle Bachelet. Com apenas 15,4% das intenções de voto, ele garante que vai prosseguir com a reforma educativa para garantir a gratuidade da educação superior e continuar a modificação do sistema previdenciário e da Constituição, heranças da época da ditadura.

No entanto, a vantagem de Piñera, que governou o país entre 2010 e 2014, não permitirá que vença no primeiro turno. Segundo os últimos números, será preciso esperar até o segundo turno, em 17 de dezembro para, decidir o futuro do país.

Economia em queda pesou na campanha

O Chile registrou em 2016 seu crescimento mais baixo em sete anos (1,6%) por causa da queda do preço do cobre, do qual é o principal produtor mundial, com quase um terço do volume do planeta. Mas a melhora dos preços do metal nos últimos pode mudar essa situação. A Comissão Econômica para América Latina (Cepal), prevê um crescimento de 1,5% em 2017 e de 2,8% em 2018. Além do cobre, o lítio, a madeira, a agricultura e a pesca constituem os principais produtos da cesta exportadora chilena.

Neste país de 17,5 milhões de habitantes, a taxa de pobreza ficou em 11,7% em 2016, três vezes menor do que em 1990, segundo o Banco Mundial. As desigualdades continuam sendo muito pronunciadas, alertou a OCDE em 2015. A qualidade da educação é desigual, o acesso aos melhores centros continua reservado às famílias com mais recursos, segundo a entidade.