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Chile vai ao segundo turno das eleições presidenciais com Piñera favorito

O ex-presidente chileno Sebastián Piñera e o jornalista e sociólogo Alejandro Guillier vão se enfrentar no segundo turno das eleições presidenciais no país. Piñera ganhou pouco mais de 36% dos votos neste domingo (19), seguido de Guillier, com 22,7%. Mas a grande surpresa do dia foi a representante da esquerda radical, Beatriz Sanchéz, que ficou em terceiro, com 20% dos votos.

Elianah Jorge, para RFI Brasil

Apesar do resultado não ser uma surpresa, Sebastián Piñera recebeu menos votos que o esperado. De acordo com as pesquisas, o ex-presidente conseguiria cerca de 44% dos votos, porém ele ganhou 36,4% neste domingo, segundo dados oficiais. Este percentual foi considerado uma derrota, embora Piñera tenha afirmado que conseguiu um “grande resultado” e continue sendo o favorito para ganhar o segundo turno que será realizado dia 17 de dezembro.

Pela primeira vez os chilenos residentes no exterior puderam votar. Além disso, entraram em vigor novas regras eleitorais, incluindo a aplicação de cotas em que nem homens nem mulheres podiam superar 60% das candidaturas. A consequência foi a participação de cerca de 33% de mulheres na votação. No país a abstenção costuma ser alta, sobretudo porque o voto é facultativo desde 2012.

Esquerda surpreende

A candidata presidencial da coalizão Frente Ampla, Beatriz Sanchéz, surpreendeu ao ganhar cerca de 20% dos votos, contra os 8% previamente apontados pelas pesquisas.

A Frente foi criada no início deste ano por doze partidos e movimentos de esquerda, muitos oriundos do movimento estudantil. A coalizão se inspira no partido espanhol “Podemos” e nasceu com o propósito de superar o sistema neoliberal. Despontando no mundo político, Sanchéz exigiu explicações públicas aos institutos de pesquisa, aponta-os como os responsáveis pela ida do país ao segundo turno.

A subida de Sanchéz, que é da ala esquerda conservadora, demonstra que o movimento busca alternativas à posição tomada por Bachelet, sobretudo após o escândalo de corrupção que envolveu o filho da presidente.

Direita continua na liderança

Apesar da esquerda ter ganhado espaço no país, a direita continua na liderança e tem grandes chances de levar as eleições.

Diversos fatores influenciaram o resultado em um país ainda conservador. Apesar do Chile ser considerado uma das economias mais estáveis da região sul-americana, os baixos índices econômicos, acompanhados de reformas consideradas mal feitas, ajudaram Piñera, que é promessa de recuperação econômica.

A economia foi o ponto principal da campanha dos oito candidatos ao Palácio de La Moneda. Todos enfatizaram a necessidade do país voltar a crescer. Nos últimos quatro anos, o crescimento médio da economia chilena foi de 2%, número aquém dos 4% que o mandato de Bachelet conseguiu entre 2010-2014. Quando Bachelet foi reeleita, havia a proposta de tornar o Chile mais igualitário e inclusivo. Porém, com o crescimento econômico abaixo da expectativa, a insatisfação com reformas na educação e a descriminalização do aborto em certas circunstâncias fizeram com que os eleitores decidissem pela direita.

Outros fatores de peso foram o caso Caval, que investiga o filho de Bachelet por tráfico de influência, e a reformulação do sistema eleitoral, que instaurou uma divisão proporcional para os cargos do legislativo. Analistas acreditam que este novo sistema e o desencanto com a política tradicional favoreceram os resultados em prol da direita chilena.

A coalizão de direita Chile Vamos, liderada por Piñera, também elegeu o maior número de deputados e senadores no Congresso, mas não alcançou maioria em nenhuma das duas câmaras.

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