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Empresária mexicana é cotada para comprar produtora de Weinstein

Por RFI

Há um mês e meio veio à tona o primeiro de uma série de escândalos sexuais de Hollywood que acabou virando uma avalanche, não apenas no cinema mas em várias áreas. E além de encorajar vítimas a falarem sobre violência que sentiram, outros caminhos também se abrem na indústria do entretenimento para as mulheres. Grupos de investidores liderados por elas estão interessados em assumir a The Weinstein Company, à beira da falência após as acusações contra o co-fundador Harvey Weinstein. 

Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles.

Tudo indica que a empresa The Weinstein Company possa ser agora o melhor símbolo de que os tempos enfim estão mudando para as mulheres, mesmo que o preço tenha sido tão alto pra tantas vítimas. A empresária Maria Contreras-Sweet, imigrante mexicana e ex-diretora de pequenos negócios da administração Barack Obama - segundo a imprensa americana - deu um lance de 275 milhões de dólares - mais de 900 milhões de reais para comprar a empresa de Harvey Weinstein.

Ela tem o apoio de mais quatro investidores anônimos e a intenção dela é ser a presidente e ter uma diretoria controlada por mulheres. A empresária já deixou claro também que quer criar um fundo para as mais de 100 mulheres que já declararam ter sido vítimas de Harvey Weinstein, que era o co-presidente e que foi demitido da própria companhia quando as acusações vieram à tona.

Outra empresa de produção de audiovisual, liderada por mulheres também estaria preparando outro lance, é a Killer Content. Nessa parceira estão a documentarista Abigail Disney - sobrinha-neta de Walt Disney e também a New York Women’s Foundation - a maior fundação americana que arrecada recursos para garantir segurança economica e justiça para mulheres e meninas. A parceria planeja doar parte dos lucros da empresa para organizações que trabalham para ajudar as vítimas de agressão sexual.

Outros grupos tentam comprar a The Weinstein Company

Pelo menos mais outras cinco empresas, entre elas a Lionsgate e a MGM também estariam se mobilizando para fazer uma proposta. Mas o momento é bem delicado e essa compra tem uma grande representatividade. 

Apesar de o lance da empresária Maria Contreras-Sweet estar um pouco abaixo dos 300 milhões de dólares que a diretoria da Weinstein pretendia arrecadar com a venda, há quem aposte que ela deva sim arrematar a empresa pela representatividade desse ato, do lado dela está também a advogada Gloria Allred, que lidera vários movimentos feministas no país e representa algumas vítimas de Harvey Weinstein.

Mas, apesar de ela ter feito até uma carta de intenções que foi publicada por alguns meios de comunicação americanos e do outro grupo liderado por mulheres também estar delineando intenções, alguns investidores e consultores questionam se os esforços são mais para fazer uma declaração e levantar mais uma discussão ou se realmente vão fechar essa compra.

Lembrando que o que está nessa negociação são várias produções - filmes e séries de TV - que foram congeladas ou em processo de finalização, contratos, todo o arquivo da empresa que tem vários ganhadores de Oscars, mas também toda a dívida que especialistas acreditam ultrapassar os 375 milhões de dólares, por isso eles acreditam que a falência continua sendo o caminho mais provável. 

Um escândalo que pode ter mudado o mundo: "quanto mais falamos, menos vai acontecer"

Apenas na última semana foram pelo menos dez superpoderosos sendo denunciados, não só da área do cinema, mas da música, jornalismo, moda, política, enfim, pessoas de todas as áreas estão se sentindo a vontade para falar sobre um assunto que sempre foi tabu.

Entre os nomes dos últimos dias, está o todo poderoso da Pixar, John Lasseter, que reinventou a arte de fazer animação. Também foi citado em vários casos de assédio e afastado da empresa. A cineasta da Nova Zelândia Jane Campion, que foi indicada ao Oscar pela direção do filme O Piano de 1993 fez uma declaração há poucos dias e disse que o escândalo de assédio sexual em Hollywood se transformou em um "conto de fadas" para as mulher do ramo entretenimento.

Ela falou ainda que as pessoas estão acreditando enfim nas mulheres e que homens poderosos estão sendo demitidos. Disse que nunca viu na vida dela nada como essa solidariedade, seguida de ação. E finalizou: "quanto mais falamos, menos vai acontecer".

Que esse realmente seja o início de uma nova era para as mulheres, um movimento que ganhe cada vez mais força, que o silêncio não seja uma condição para manter empregos, que o poder deixe de intimidar as pessoas quando o que está em questão são seus corpos e direitos e que haja menos conivência em relação a abuso de gênero ou qualquer forma de abuso.

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