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Investigação russa abafa aprovação de reforma fiscal de Trump

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Manifestantes protestam contra Trump em um evento em Nova York. REUTERS/Eduardo Munoz

O presidente americano, Donald Trump, comemora neste sábado (2) a aprovação da sua primeira reforma econômica pelo Senado – mas a vitória é abafada por novas reviravoltas na investigação sobre a interferência russa nas eleições americanas. Trump voltou a afirmar que não houve conluio entre sua equipe eleitoral e a Rússia, um dia depois de seu ex-assessor de Segurança Nacional, o general reformado Michael Flynn, ter se comprometido a cooperar com as investigações sobre a ingerência russa no pleito de 2016.


"Nenhum conluio", disse Trump aos jornalistas. Flynn, de 58 anos, foi indiciado por seu "falso testemunho" em um "assunto sob jurisdição de um braço do Poder Executivo do governo dos Estados Unidos", informou o Departamento de Justiça. Ele reconheceu ter mentido ao FBI sobre as suspeitas de complô entre o comitê de Trump e funcionários russos durante a eleição presidencial do ano passado.

A admissão de culpabilidade de Flynn é consequência da investigação conduzida pelo procurador especial independente Robert Mueller. Em dezembro de 2016, quando já havia sido escolhido por Trump para ser conselheiro de Segurança Nacional no governo em formação, Flynn manteve contato com o então embaixador russo.

Nessa conversa, Flynn discutiu com o embaixador Sergei Kislyak a necessidade de evitar uma escalada de tensões entre Washington e Moscou, em consequência das sanções que o governo Barack Obama impunha à Rússia naquele momento. Ele confirmou a acusação de ter agido pontualmente sob as instruções de “um altíssimo dirigente” da equipe de transição presidencial nos Estados Unidos – a imprensa americana afirma que seria ninguém menos do que Jared Kushner, genro e conselheiro íntimo de Trump.

As investigações se aproximam, portanto, cada vez mais do círculo próximo do presidente. Se o procurador conseguir provar que houve um acerto entre ele e a Rússia, um procedimento de impeachment pode ser lançado.

Reforma fiscal vai derrubar impostos para empresas

Trump, que tem sistematicamente se recusado a comentar sobre a aceleração das investigações, declarou apenas, pelo Twitter, que as ações de Flynn na campanha "eram legais". Durante todo o dia, ele tentou desviar as atenções para a aprovação, pelos senadores, da sua ambiciosa proposta de reforma tributária e fiscal, a mais audaciosa desde o governo de Ronald Reagan.

“Que noite fantástica!”, comentou o presidente, pelo Twitter. “As maiores leis fiscais e redução de impostos da história acabam de passar no Senado. Agora os formidáveis republicanos vão visar a adoção final [do texto]”, disse Trump, depois de o projeto ser adotado por 51 votos contra 49, com a dissidência de apenas um senador governista.

Trata-se de uma importante vitória legislativa para o presidente, que conta com uma maioria de senadores. Vários republicanos, que ameaçaram votar contra o projeto, acabaram cedendo à proposta, como o influente senador John McCain

Agora, o documento será harmonizado com a versão adotada em novembro pela Câmara de Representantes, antes de passar para a promulgação do presidente. Se a reforma for aprovada, será a primeira grande medida na área econômica do mandato de Trump. O imposto sobre as empresas, atualmente em 35%, poderá ser reduzido para 20%.

Os democratas alegam que as medidas são desiguais e privilegiam os ricos. O comitê  legislativo especializado em tributação alerta que a redução dos impostos custará US$ 1,4 trilhão entre 2018 e 2027, com um impacto devastador no déficit público. Os republicanos projetam que o valor será atenuado pelo aumento do crescimento econômico durante o período.

Com informações da AFP