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Fraude Honduras Eleições

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Oposição hondurenha denuncia fraude e pede fim do estado de sítio

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Salvador Nasralla, o apresentador de TV e candidato da oposição que denuncia fraude e estado de sítio. REUTERS/Jorge Cabrera

Salvador Nasralla, candidato da Aliança da Oposição contra a Ditadura, acusou o seu concorrente, o presidente Juan Orlando Hernández, de decretar o estado de sítio como parte da fraude eleitoral que lhe deu a vitória nas eleições do domingo passado.


Pelas contas do Tribunal Supremo Eleitoral de Honduras, o presidente da República e candidato à reeleição Juan Orlando Hernández, do Partido Nacional, venceu as eleições presidenciais de domingo (26/11) com 42,92% dos votos contra 41,42% do candidato da oposição Salvador Nasralla.

Nasralla, no entanto, reclama de fraude eleitoral. Durante a apuração das urnas, quando a oposição liderava a contagem de votos, os computadores da Justiça Eleitoral entraram em pane. Cinco horas depois, quando os computadores voltaram a funcionar, o atual presidente da República passou a liderar a apuração até vencê-la com a estreita margem de 1,5%, num pleito que não prevê segundo turno.

Estado de sítio

Depois que a Aliança da Oposição contra a Ditadura convocou uma manifestação de protesto, que provocou saques e confrontos com a polícia, além da morte da estudante Kimberly Dayana Fonseca, de 19 anos, o governo de Honduras decretou, na sexta-feira (1o) estado de sítio com toque de recolher durante 10 dias.

“Tudo isso, para seguir manipulando o processo eleitoral e dar como vencedor das eleições o presidente da República. Isso é uma injustiça!”, denunciou Salvador Nasralla em comunicado para a imprensa. “São manobras do governo para semear o pânico, criar o caos e fazer com que o eleitor acredite que somos nós, da Aliança da Oposição, que estamos causando esses tumultos. Não é verdade! Senhores do governo, respeitem a vontade do povo para que Honduras possa voltar à calma”.

A oposição exige não somente a suspensão do estado de sítio, mas também a verificação de 5.174 atas das seções eleitorais, enquanto o Tribunal Supremo Eleitoral anuncia que somente 1.006 atas que apresentaram irregularidades serão verificadas.

Contextualizando

Até então, em Honduras, a reeleição de um presidente da República era proibida pela Constituição. Por conta de um referendo para mudar esse artigo da Constituição, o ex-presidente José Manuel Zelaya foi destituído por um golpe militar em 2009. 

Agora, o mesmo grupo conservador que o destitui, o Partido Nacional, conseguiu que a Suprema Corte de Honduras, com juízes apontados pelo atual governo, autorizasse a reeleição do presidente Juan Orlando Hernández.

Na eleição de domingo passado, Juan Orlando Hernández, 49 anos, concorreu com Salvador Nasralla, 64 anos, o mais popular apresentador de TV de Honduras, que lidera a Aliança da Oposição contra a Ditadura, um grupo que tem o apoio do destituído José Manuel Zelaya.

As fraudes eleitorais fazem parte da recente história política de Honduras. Como diz analista político hondurenho Carlos Hernández da Associação por um país mais justo, “só o que muda é a magnitude da fraude”.