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Honduras Eleição Crise Política Violência

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Honduras realiza nova apuração para tentar resolver crise política

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O tribunal eleitoral de Honduras realiza nova apuração nesta quarta-feira, 6 de dezembro de 2017. REUTERS/Jorge Cabrera

Honduras realiza nesta quarta-feira (6) uma nova apuração da votação de 26 de novembro. A recontagem é exigida pela oposição de esquerda diante das suspeitas de fraude pela reeleição do presidente Juan Orlando Hernández e vários dias de violentos protestos no país.  


"Estamos abertos a compararem, revisarem uma, duas, três, quantas (vezes) quiserem, não temos nenhum problema", mas "dentro da lei", assinalou o presidente Juan Orlando Hernández, de 49 anos, do Partido Nacional (PN, da direita).

Com 100% das urnas apuradas, Hernández aparece à frente com 42,98% dos votos, enquanto o candidato da Aliança opositora, o apresentador de televisão Salvador Nasralla, de 64 anos, obtém 41,38%, de acordo com o último relatório do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE).

A crise no país se aprofundou depois que um grupo de policiais se negou a cumprir o estado de sítio e o toque de recolher noturno decretados pelo governo para controlar os protestos que deixaram três mortos - uma jovem de 19 anos e dois agentes -, roubos e incêndios em negócios.

O ex-presidente destituído, Manuel Zelaya, coordenador da Aliança de Oposição Contra a Ditadura, exigiu "uma comparação total entre caderno, ata e votos". Do contrário, apresentou a possibilidade de anular o processo eleitoral, assinalando que "a lei contempla a nulidade quando se apresenta uma demanda".

Policiais não querem reprimir manifestantes

Na terça-feira (5), organizações civis hondurenhas convocadas em Washington pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) denunciaram a morte de 11 manifestantes pelas mãos da Polícia e mais de 50 feridos em "um país altamente militarizado". Milhares de policiais chegaram a um acordo com o governo para voltar a suas tarefas, um dia depois de tê-las interrompido, com a condição de não terem mais que reprimir manifestantes.

Organismos internacionais que observaram as eleições também pediram para verificar as atas. Os Estados Unidos exigiram "uma decisão transparente, imparcial e oportuna dos resultados das eleições", segundo assinalou em Washington a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.

A ajuda econômica norte-americana a Honduras depende de que o Departamento de Estado avalie anualmente o progresso em 12 áreas, entre elas o combate à corrupção e à impunidade, a redução da violência e a proteção dos direitos humanos. Segundo Zelaya, o processo eleitoral "está contaminado" por interrupções suspeitas no sistema de computação do TSE na semana passada.

Na primeira contagem do TSE, Nasralla tinha uma vantagem de cinco pontos e, depois das falhas do sistema, uma delas de cinco horas, seguida de intermitência, a votação virou à favor do atual presidente.

O chefe de Estado se candidatou a um segundo mandato graças a uma sentença judicial que declarou inconstitucional uma proibição à reeleição contida na Carta Magna.