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China e Rússia denunciam nova “Guerra Fria” em relatório de segurança dos EUA

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O presidente americano, Donald Trump, usou um tom mais leve em seu discurso sobre o relatório de segurança dos EUA REUTERS/Carlos Barria

O governo chinês e o russo criticaram nesta terça-feira (19) o relatório de segurança publicado pelo governo americano nesta segunda-feira, denunciando a mentalidade “de guerra fria” dos Estados Unidos, que designaram a China como país concorrente.


Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hua Chunying, os Estados Unidos deformaram voluntariamente as intenções estratégicas da China no documento. “Eles só vão prejudicar eles mesmos e os outros”, declarou. Já a Rússia denunciou o "caráter imperialista" do documento. "O caráter imperialista deste documento é evidente, tanto quanto a recusa a renunciar a um mundo unipolar, uma recusa insistente", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. O governo russo "não pode aceitar que tratem o país como uma ameaça à segurança dos Estados Unidos", completou.

O presidente Donald Trump revelou nesta segunda-feira (18) a estratégia de segurança nacional do "America First", enviando sinais contraditórios à Rússia e à China. No relatório, ele se refere às potências adversárias, no caso russos e chineses, dizendo que eles buscam “desafiar a influência, os valores e a riqueza dos americanos", mas ao mesmo tempo, em seu discurso, o presidente americano se mostrou disposto a construir "grandes alianças" com Moscou e Pequim. Trump destacou, por exemplo, a recente cooperação entre os serviços de inteligência russos e americanos que permitiu evitar um sangrento atentado em São Petersburgo.

O tom conciliador de Trump foi bem diferente do utilizado no documento de 68 páginas preparado pelo governo para apresentar a estratégia de segurança nacional. "A Rússia visa debilitar a influência dos Estados Unidos no mundo e nos separar dos nossos aliados e sócios", assinala o texto divulgado mais cedo pela Casa Branca.

Em seu discurso, Trump citou as quatro prioridades "vitais" identificadas no documento: proteger o povo, o território e o modo de vida americano, promover a prosperidade e preservar a paz mediante a força e impulsionar a influência dos Estados Unidos.

Trump destacou que "pela primeira vez" a estratégia americana inclui um plano sério de defesa da pátria e, sem citar o México, destacou a necessidade de se construir um muro na fronteira sul do país, uma de suas promessas de campanha.

O presidente também defendeu o fim da imigração “em cadeia”, que permite a entrada de toda a família do imigrante, por meio dos "horríveis programas" de loterias de vistos. O documento afirma a convicção do governo de que a competitividade econômica é "um tema de segurança nacional", e destaca a determinação de se lutar por intercâmbios comerciais equilibrados - em particular com a China.

"Entramos em uma nova era de competição", destacou Trump. Um porta-voz da embaixada chinesa reagiu às palavras ao considerar que "é completamente egoísta para um país afirmar que seus próprios interesses são superiores aos interesses de outros países e aos interesses compartilhados da comunidade internacional. Esta mentalidade levará apenas ao isolamento".

Acordo de Paris

Sobre a mudança climática, Trump se limitou a denunciar novamente o "injusto" Acordo de Paris. O tema da mudança climática não figura em qualquer parte do documento sobre a estratégia americana como uma ameaça a segurança nacional. "Os Estados Unidos seguirão sendo um líder mundial na redução da contaminação tradicional, assim como na redução (da emissão) dos gases do efeito estufa, ao mesmo tempo que assegura o crescimento de sua economia".

Depois de chegar à presidência com uma mensagem claramente cética em relação ao aquecimento global, Trump anunciou a saída dos EUA do Acordo de Paris sobre mudança climática firmado por quase 200 países.