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Brasil deve ajudar Venezuela a encontrar um novo caminho, diz professor da UnB

Por Taise Parente

As relações diplomáticas entre Brasil e Venezuela estão em queda livre. Isso depois que o país de Nicolás Maduro declarou o diplomata brasileiro, Ruy Pereira, como "persona non grata" no último sábado (23). O Itamaraty reagiu na terça-feira (26) e, antes mesmo de receber o comunicado oficial da Venezuela, decidiu tomar uma medida similar com relação ao diplomata venezuelano Gerardo Delgado. 

As relações diplomáticas bilaterais foram congeladas em agosto de 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff, considerado por Maduro como um golpe de estado.

"A atitude é claramente uma resposta à política de endurecimento de Maduro em relação a esse governo brasileiro e sua política externa," explica o professor do Instituto de Relações Internacionais da UnB, Thiago Gehre Galvão.  

Segundo o especialista, o fim da chamada "maré vermelha" - uma virada à esquerda que ocorreu no início dos anos 2000 na América Latina - e a chegada de uma nova onda conservadora na região fizeram com que governos como o da Venezuela não fossem bem aceitos. 
  
"O que a gente percebeu com a ascensão do presidente Michel Temer  foi uma clara mudança de perspectiva, de visão de mundo em relação à política exterior brasileira e a implicação direta disso foi uma quase intolerância em relação a regimes ditos ditatoriais, centralizadores, com claras inclinações ideológicas à esquerda. Isso gerou obviamente um certo descontentamento por parte do governo do Nicolás Maduro," explica.

Outros problemas são os excessos do governo venezuelano e suas tentativas de controlar as instituições democráticas do país. "A consequência imediata é que a Venezuela acaba entrando em uma espécie de limbo político porque você tem que reagir a esses excessos e acaba isolando o país dentro do contexto político sul-americano. O país está enfrentando isso no Mercosul e na Organização dos Estados Americanos," afirma Galvão.

Atitude do Brasil mudou, mas ainda não é suficiente

O Brasil e outros países do Mercosul vêm endurecendo a postura crítica em relação à Venezuela, inclusive suspendendo o país do bloco depois da eleição de uma nova Assembleia Constituinte em agosto. 

Segundo Galvão, a posição brasileira é acertada. "O Brasil demorou muito a reagir. A política externa brasileira passou por momento sensível de desgoverno, descontrole, e agora o Ministério das Relações Exteriores parece ter encontrado o rumo certo, que é exatamente isso: encontrar dentro do direito internacional e das grandes instituições internacionais o caminho para poder pressionar e se posicionar frente a diversos governos, e não apenas à Venezuela. O que a gente percebe é que o Brasil não está interferindo diretamente, mas não está indiferente ao que acontece no vizinho sul-americano," explica.

Quanto ao futuro das relações entre os dois países, o especialista é claro, para que melhorem é preciso que a Venezuela mude e o Brasil deve ajudar. "A Venezuela não vai conseguir fazer isso sozinha. Ela passa por graves problemas econômicos e há um claro esgotamento do modelo político do Chavismo. É preciso uma maior cooperação dos países latino americanos e em particular do Brasil, que deve tomar medidas positivas e ajudar a Venezuela a encontrar um novo caminho," diz Galvão.  

*Clique na foto acima para ouvir a entrevista completa.

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