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Eleições de 2018 serão cruciais para futuro político da América do Sul

Em 2017, a América do Sul foi sacudida por escândalos de corrupção, prisões de alto escalão, ameaças de destituições e reformas estruturais. Para 2018, é grande a preocupação com o Brasil, a Colômbia e a Venezuela, que realizarão eleições cruciais para seu futuro político.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Além da brasileira, duas eleições vão concentrar as atenções na região: a colombiana e a venezuelana. Na Colômbia, as legislativas em março e presidencial em maio terão impacto no futuro do processo de paz.
 
Em junho passado, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) entregaram as armas. Em agosto, o grupo se tornou Força Alternativa Revolucionária do Comum, um novo partido político que concorre nas próximas eleições legislativas.
 
Logo no começo de 2017, em fevereiro, começaram as negociações entre o governo da Colômbia e Exército de Libertação Nacional (ELN), a última guerrilha vigente. Em outubro, começou o cessar-fogo temporário que vence agora no próximo dia 9 de janeiro e que poderia ser prorrogado até 7 de agosto, quando o país já terá um novo governo para negociar.
 
Outra eleição muito aguardada é a venezuelana que deve definir o futuro do presidente Nicolás Maduro. O chavista já afirmou que vai proibir a oposição de participar do pleito.
 
O colapso venezuelano só se agravou em 2017, ano em que o governo, com o aval do governista Tribunal Supremo, acabou com as funções do Parlamento, de maioria opositora. Em julho, foi eleita a Assembleia Constituinte, unicamente com parlamentares pró-governo. A manobra política foi condenada pelo Mercosul que suspendeu a Venezuela do bloco por "ruptura da ordem democrática".

Escândalo da Odebrecht estremeceu América do Sul
 
O escândalo de corrupção envolvendo a Odebrecht fez tremer vários países da região. A delação da empresa, no final de 2016, fez estragos ao longo de 2017.
 
No Peru, o presidente Pedro Pablo Kuczynski acaba de ser salvar da destituição, mas a um preço elevado: teria trocado o impeachment pelo indulto ao ex-presidente Alberto Fujimori.
 
Já o ex-presidente peruano Ollanta Humala está em prisão preventiva, acusado de ter tido a sua campanha política financiada ilegalmente pela Odebrecht. Enquanto isso, o ex-chefe de Estado do Peru, Alejandro Toledo, continua foragido nos Estados Unidos.
 
Na Colômbia, a Justiça concluiu que o presidente Juan Manuel Santos teve a sua campanha à Presidência financiada pela Odebrecht, mas por enquanto, apenas o seu ex-vice-ministro do Transporte, Gabriel García Morales, foi condenado.
 
A trama Odebrecht também atingiu o vice-presidente do Equador, Jorge Glas, preso em outubro e condenado agora em dezembro a seis anos de prisão.

Governos centristas viram tendência

Outro aspecto marcante de 2017 na América do Sul foi a tendência de vitórias centristas nas eleições. Tanto a esquerda quanto a direita investem em governos de centro.
 
Em abril, o Equador quebrou a tendência de virada à direita dos últimos anos ao eleger o governista Lenín Moreno, aliado do ex-presidente Rafael Correa. Mas, logo que assumiu, Moreno começou uma virada ao centro, rompendo com Correa. A prisão do vice Jorge Glas, braço-direito de Correa, é parte dessa ruptura. 
 
Outros que migraram para o centro como forma de ampliarem a sua base de apoio para ganharem eleições foram o presidente argentino, Mauricio Macri, e o recém-eleito, o chileno Sebastián Piñera
 
Reformas impopulares
 
Não é só o Brasil que tenta aprovar reformas. Há poucos dias, Sebastián Piñera ganhou as eleições presidenciais no Chile prometendo uma reforma tributária e uma previdenciária. 

Já Maurico Macri, há dois anos no cargo, venceu as legislativas em outubro e ganhou fôlego para avançar com uma agenda de reformas impopulares. Em dezembro, em meio a violentos protestos, o Parlamento argentino aprovou as reformas previdenciária e tributária, deixando a trabalhista para 2018.
 
Além da reforma previdenciária, Macri sofreu um desgaste com o misterioso desaparecimento do submarino "ARA San Juan", que, com 44 tripulantes a bordo, está perdido no Atlântico Sul desde do dia 15 de novembro.
 
Legalização da maconha no Uruguai
 
Em julho, o Uruguai chamou a atenção do mundo ao iniciar o capítulo mais ousado da legalização da maconha: a venda nas farmácias. O sistema começou com sucesso: em cinco meses, o número de consumidores quadruplicou. O problema é que o número de farmácias habilitadas foi no sentido contrário, colapsando o sistema. 

Das 16 farmácias iniciais, apenas 12 continuam. Isso representa apenas 1% do número de farmácias no Uruguai. E qual é o motivo para esse retrocesso? Para o sistema financeiro internacional, a maconha continua a ser uma atividade ilícita e as farmácias que vendem a erva não conseguem ter uma conta bancária.

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