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Venezuela Nicolás Maduro Crise Estados Unidos Fome Inflação

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Governo ordena queda de preços e venezuelanos invadem supermercados

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Venezuelanos aguardam abertura de supermercado em Caracas, neste sábado (6). REUTERS/Marco Bello

Muitos supermercados de Caracas foram tomados pelos venezuelanos neste sábado (6), depois de uma ordem de queda de preços emitida pelo governo aos comerciantes. Na sexta-feira (5), as autoridades determinaram que os valores dos produtos deveriam retornar ao que estavam há um mês, o que significa prejuízos significativos no país onde reina a hiperinflação.


Famílias inteiras, inclusive bebês e portadores de necessidades especiais, se amontoaram em frente a alguns estabelecimentos, aos gritos de “Temos fome! Queremos comida!”. A mãe de família Mileidy Acosta, de 28 anos, afirma que ela e seus três filhos não comem há três dias. “Não aguentamos mais. Uma pessoa que ganha um salario mínimo não consegue comprar nem um molho de tomate”, disse, à agência AFP.

Oficialmente, o salário mínimo subiu 40% no dia 1º de janeiro, mas no mercado negro ele vale apenas US$ 2. A moeda venezuelana despencou 98% diante no dólar, no último ano.

Neste contexto, as cenas de pessoas em busca de comida no lixo se tornou banal. Apesar da ordem de baixar os preços, a penúria de produtos alimentares permanece em todo o país. Além da fome, que afeta milhares de pessoas no país, a falta de medicamentos tem causado a morte de venezuelanos, em meio à mais grave crise das últimas décadas.

O presidente Nicolás Maduro atribuiu a situação à oposição, ao empresariado e aos Estados Unidos, que multiplicaram as sanções contra o país desde o início do mandato de Donald Trump.

Novas sanções americanas

Nesta sexta-feira (5), o Departamento do Tesouro americano sancionou por corrupção ou responsabilidade em atos de repressão quatro funcionários venezuelanos, cujo governo respondeu assegurando que o Exército não "se dobrará" às forças "supremacistas" dos Estados Unidos.

As sanções afetam o governador do estado de Aragua, Rodolfo Marco Torres; o ministro da Nova Fronteira de Paz, Gerardo Izquierdo Torres; o general de divisão reformado Francisco Rangel Gómez, ex-governador do estado de Bolívar; e o general da Guarda Nacional Bolivariana Fabio Zavarse Pabón. Os quatro funcionários são ou foram integrantes das Forças Armadas: Rodolfo Marco Torres é general de divisão reformado, e Gerardo Izquierdo Torres é general do Exército na ativa.

Em nota oficial, o Tesouro informou que os quatro "esqueceram a missão profissional republicana" das instituições militares da Venezuela, de acordo com a Constituição aprovada por esse país em 1999. Depois do anúncio, Maduro declarou que “o governo imperialista de Trump está acabando com a sua paciência”, em um pronunciamento de rádio e televisão.  O presidente considerou a medida “uma chantagem” e acusou Washington de tentar interferir no país.

Mais cedo, o ministro venezuelano das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, disse no Twitter que o Exército "nunca se dobrará diante de qualquer poder estrangeiro e muito menos diante das forças imperialistas e belicistas do governo supremacista de Donald Trump". "Exigimos respeito". Delcy Rodríguez, presidente da Assembleia Constituinte de Maduro que governa efetivamente o país, disse que Trump "e seu excêntrico governo deveriam entender que a Venezuela nunca cederá às chantagens ou ameaças".

“Narco Estado”

Como resultado das sanções, todos os eventuais ativos destes quatro funcionários nos EUA serão congelados, e eles ficarão proibidos de ter relações comerciais com cidadãos americanos. Os Estados Unidos consideram a Venezuela um "narco Estado" que ameaça a segurança internacional e, por isso, impuseram sanções nos últimos meses contra o presidente venezuelano e grande parte de seus funcionários mais próximos.

Washington também proibiu que cidadãos americanos negociem a dívida com o governo venezuelano e a petroleira Pdvsa. Em novembro, os Estados Unidos sancionaram outros 10 funcionários por sua suposta responsabilidade em irregularidades eleitorais. "Se membros do regime de Maduro desejam a retirada das sanções do governo dos Estados Unidos, devem agir para restaurar a democracia e a ordem constitucional na Venezuela", indicou o Departamento de Estado.

Com informações da AFP