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Coreia do Norte: Trump está disposto a conversar com Kim Jong-Un

O presidente americano, Donald Trump, afirmou que está pronto para iniciar um diálogo direto com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-Un, depois de conversar nesta quarta-feira (10) com o chefe de Estado sul-coreano Moon Jae-In. Trump busca capitalizar as conversas iniciadas entre as duas Coreias por conta dos Jogos Olímpicos de Inverno, que acontecem na Coreia do Sul no mês que vem.

Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

O aceno de Trump, sugerindo a possibilidade de um diálogo “importante para a paz mundial” surpreendeu políticos e acadêmicos nos EUA. Basta lembrar que há menos de três meses o presidente Donald Trump havia dito ao secretário de Estado, Rex Tillerson, que ele estava ‘perdendo tempo’ ao tentar estabelecer um diálogo direto com a Coreia do Norte.

Agora Trump diz que não descarta até mesmo uma conversa telefônica com Kim Jong-Un. Uma mudança tão radical, em tão pouco tempo, em relação a um país cujo programa nuclear é considerado um dos maiores perigos para o planeta, aumentam as críticas de experts em relação à falta de coerência da política externa da administração republicana.

O mais impressionante é que, nas conversas com os jornalistas, membros do governo afirmaram que a postura de Trump sempre foi a de iniciar um diálogo com o regime comunista, mas que precisava ter a certeza de que a oferta do outro lado era séria. O que se diz é que os EUA querem aproveitar o momento de distensão na Península Coreana para iniciar negociações em torno do fim dos testes nucleares e da ameaça de sanções à combalida economia norte-coreana.

"Meu botão é maior do que o seu"

Parece contraditório, já que, na semana passada, Trump estava fazendo comparações entre os respectivos tamanhos dos botões nucleares dos dois países. E o “Wall Street Journal” publicou extensa reportagem sobre estudos do Pentágono em torno de um possível ataque-surpresa preventivo a instalações nucleares na Coreia do Norte. Mesmo assim, os republicanos garantem que “dentro das circunstâncias ideais e no momento certo”, o diálogo é muito bem-vindo.

Com a pressão feita pela administração Trump para a redução drástica de canais econômicos e financeiros de China e Rússia com a Coreia do Norte, Pyongyang não teve outra saída a não ser iniciar conversas com Seul. A Casa Azul, sede do governo sul-coreano, afirma que o presidente Trump se comprometeu a não usar força militar contra os vizinhos do norte enquanto as duas Coreias seguirem conversando.

A dificuldade central em uma eventual distensão entre Washington e Pyongyang é justamente a condição previa estabelecida pelo governo Trump para sentar à mesa de negociações com os norte-coreanos: a do fim do programa nuclear do país comunista. E esta prerrogativa ainda não foi alterada. E como Kim Jong-Un vê seu poderio bélico como garantia para a manutenção do regime, a exigência impede qualquer avanço prático real.

O consenso, aqui nos EUA, é de que o perigo norte-coreano está chegando a um nível extremamente alto e que a Casa Branca será forçada, nos próximos meses, provavelmente depois das Olimpíadas de Inverno, a tomar uma decisão final sobre o arsenal nuclear da Coreia do Norte.

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