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Trump chama Haiti e nações africanas de “países de merda”

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Donald Trump se referia a imigrantes do Haiti e países africanos. REUTERS/Carlos Barria

O presidente Donald Trump usou palavras ofensivas nesta quinta-feira (11) durante um encontro com congressistas sobre a reforma migratória, ao perguntar por que os Estados Unidos deveriam aceitar pessoas procedentes de "países de merda". O presidente se referia a cidadãos do Haiti, do El Salvador e de países africanos.


Ele sugeriu, ao mesmo tempo, que os Estados Unidos deveriam receber imigrantes de lugares como Noruega, país com cuja primeira-ministra ele se reuniu na quarta-feira (10). A Casa Branca não desmentiu as palavras ofensivas de Trump, mas ressaltou seu esforço em encontrar uma solução para esses migrantes sem papéis.

"Alguns políticos de Washington preferem lutar por países estrangeiros, mas o presidente Trump sempre luta pelo povo americano", afirmou um porta-voz do governo, Raj Shah, em um comunicado.

As declarações ocorreram durante um encontro com senadores e legisladores na Casa Branca para falar sobre uma proposta bipartidária que limitaria a reunificação familiar de imigrantes e o chamado programa "sorteio de vistos", em troca de evitar que centenas de milhares de jovens em situação irregular sejam deportados.

"Por que todas essas pessoas de países de merda vêm para cá?", perguntou Trump, segundo relataram fontes ao jornal The Washington Post. O jornal The New York Times noticiou a mesma informação, citando pessoas próximas ao encontro. Os comentários de Trump chocaram alguns congressistas que participaram da reunião. "Agora podemos dizer com 100% de certeza que o presidente é um racista, que não compartilha os valores de nossa Constituição", disse o democrata Luis Gutiérrez.

Deportação de menores facilitada

O senador republicano Lindsey Graham e o senador democrata Dick Durbin foram à Casa Branca para apresentar sua proposta bipartidária, mas para o encontro também foram convidados ativistas republicanos, com uma posição muito dura a respeito da imigração. Os dois estão tentando obter uma solução para os chamados "dreamers" (sonhadores), os quase 800.000 jovens sem documentos que chegaram aos Estados Unidos ainda quando eram crianças.

Trump anulou em setembro do ano passado a chamada Ação Diferida para os Chegados na Infância (Daca), aprovada pelo ex-presidente Barack Obama em 2012, que concede visto temporário aos milhares de jovens em situação ilegal. Com sua decisão, Trump abriu as portas para que sejam deportados.

Mas um juiz de San Francisco bloqueou a medida na terça-feira (9), ao quando denunciou o argumento do governo e ordenou ao Executivo "que mantenha o programa Daca em nível nacional, nos mesmos termos e condições antes de ser suprimido em 5 de setembro de 2017".

Com informações AFP