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Ambiente da Presidência Trump parece pátio de escola primária

Por Alfredo Valladão

Donald Trump é o maior ventilador político do planeta. Chamar países africanos e centro-americanos de “países de merda” não é bem o linguajar mais apropriado para o presidente da maior potência mundial. E acrescentar que prefere imigrantes noruegueses do que gente proveniente dessas “latrinas” é juntar insulto com uma boa dose de racismo. Efeito midiático garantido.

Os meios de comunicação do mundo inteiro fizeram manchetes e editorais escandalizados. Jornais e televisões americanas caíram em cima, denunciando a atitude irresponsável, racista, injusta, e perfeitamente boçal do presidente. Alguns até perguntaram porque, diabos, um norueguês viria morar nos Estados Unidos quando a Noruega tem seguro social e médico universal, escolas grátis e serviços públicos de alta qualidade.

Coisa que o “paiseco” norte-americano está longe de prover. Enquanto isso, os governos dos países insultados já estão exigindo desculpas públicas, e a imagem internacional dos Estados Unidos despencou ainda mais.Nada disso é surpreendente.

O último best-seller que conta o cotidiano na Casa Branca revelou o comportamento infantil, paranoico, burro e instável do magnata lourão que se autoproclama “um gênio estável”. O ambiente da presidência Trump parece mais com pátio de escola primária. E os americanos – e o resto do mundo junto – vão ter que aguentar esse rojão por mais alguns anos.

Não há dúvida de que a última saída desbocada do chefe da Casa Branca é profundamente ofensiva e intolerável para um mundo que está cada vez mais precisando de paz e regras de convívio internacional que respeitem a todos. Guerras, terrorismo, migrações de massa, crises sociais e econômicas, estão nos empurrando, ladeira abaixo, para a barbárie.

Lenha na fogueira da selvageria

A superpotência americana, querendo ou não, foi durante mais de meio século o baluarte contra os regimes totalitários. E foi também quem mantinha o mínimo de estabilidade para que as grandes instituições internacionais pudessem funcionar. O fato de que agora, ela esteja jogando lenha na fogueira da selvageria, não é um bom sinal. Mas paradoxalmente, o último impropério de Trump teve seu lado edificante.

Alguns comentaristas africanos, apesar de condenar com veemência o linguajar da Casa Branca, puxaram a pergunta embaraçosa: se os governos de muitos países em desenvolvimento são tão respeitáveis assim, porque centenas de milhares de cidadãos estão dispostos a arriscar tudo para fugir da terra natal?

Hoje, a emigração – sobretudo de jovens – se transformou num fenômeno massivo e planetário. E as razões são várias: conflitos, fome, miséria, falta de emprego e de oportunidades ou até a vontade de conhecer outras terras e procurar uma vida melhor. As migrações não são só internacionais.

Na África, na América Latina ou na Ásia, populações rurais estão se deslocando em massa para as grandes cidades litorâneas. Quase todo mundo tem acesso aos celulares e às redes sociais. Qualquer jovem está diretamente conectado com o mundo inteiro e sonha com as amenidades, as liberdades e as oportunidades dos países ricos.

Um sonho impossível nos seus próprios países, quase todos nas mãos de governos incompetentes, autoritários, corruptos, e muitas vezes violentos. Basta conversar com os cidadãos desses países para ouvir críticas e insultos aos seus governos e instituições bem mais pesadas do que os arrotos escatológicos de Trump. E a falta de liberdade e de futuro faz com que os jovens votem com os pés, arriscando a pele para tentar chegar na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá ou na Austrália.

Nesse novo mundo, urbano e conectado, não é mais possível aceitar que a própria nação vire um “país de merda” por culpa da ganância, cinismo e corrupção de seus dirigentes. A questão migratória não é só um problema dos países ricos, e da pouca ou grande generosidade em acolher os migrantes. Os emigrantes não são só vítimas dos Trump da vida. A responsabilidade é também das ditas “elites” dirigentes dos países pobres, situação e oposição no mesmo saco.

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