rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Woody Allen Agressão Sexual Harvey Weinstein

Publicado em • Modificado em

Filha adotiva de Woody Allen reafirma na TV que foi molestada por cineasta

media
O cineasta Woody Allen com o produtor Harvey Weinstein em 04/08/2008 KEVIN WINTER / Getty Images North America / AFP

As atenções se voltam novamente para o diretor norte-americano Woody Allen, 82 anos, na onda de denúncias de agressões sexuais que começou com o caso Harvey Weinstein, com a primeira entrevista à TV da filha adotiva Dylan Farrow, nesta quinta-feira (17). Ela reafirma ter sido abusada quando criança por Allen.


“Por que eu não iria querer destrui-lo? Por que eu não estaria zangada? Por que eu não deveria estar machucada?”, declarou Dylan Farrow, 32 anos, em entrevista à rede CBS.

No dominó que vem derrubando figurões do entretenimento e da política mundial, o diretor Woody Allen estava até então sendo poupado. Três atores que trabalharam em seu último filme, “A Rainy Day in New York”, disseram que lamentam ter trabalhado com o artista e que vão doar seus cachês ao grupo “Time’s Up”, de apoio a vítimas de assédio. São eles Greta Gerwig, Rebecca Hall e o franco-americano Timothée Chalamat.

Eles se juntam a uma lista de nomes que vem aumentando nas últimas semanas e que inclui Mira Sorvino, que ganhou um Oscar de melhor atriz principal por “Poderosa Afrodite”, Ellen Page, que trabalhou em “To Rome with Love”, e Jessica Chastain.

Traição e denúncias

A polêmica em torno de Allen começou em 1992, pouco depois de o diretor ter deixado a companheira de longa data Mia Farrow por Soon-Yi Previn, filha adotiva da atriz com o maestro André Previn. Soon-Yi tinha na época 22 anos, ou seja, 34 anos a menos que o cineasta. Na sequência, Farrow denunciou publicamente o abuso de Dylan, filha adotiva do casal.

O juiz que presidiu a amarga e pública batalha judicial pela guarda de Dylan concluiu que as acusações contra Allen não eram conclusivas, mas na ocasião chamou o diretor de “egocêntrico, não confiável e insensível”. O cineasta sempre negou as denúncias.

Em 2014, Dylan Farrow detalhou o abuso pela primeira vez, em suas próprias palavras, em uma carta publicada pelo blog do jornal The New York Times. Woody Allen respondeu com um texto no mesmo veículo, acusando Mia Farrow de estar mais interessada em alimentar seu ódio do que no bem estar da própria filha.

"E se fosse seu filho?"

Na carta de 2014, Dylan questionou publicamente atores famosos, com Cate Blanchett, que ganharia o Oscar de melhor atriz por “Blue Jasmine” alguns meses depois. “E se fosse com seu filho, Cate Blanchett?”, argumentou Dylan. A atriz australiana respondeu: “Com certeza foi uma fase longa e dolorosa para a família. Espero que encontrem resolução e paz". Blanchett, que está sendo acusada de hipocrisia por se juntar a movimentos contra o assédio, vai ser a presidente do júri do próximo festival de cinema de Cannes.

O caso do ex-poderoso produtor Harvey Weinstein veio à tona através de reportagens do New York Times e do New Yorker, esta última assinada por Ronan Farrow, 30 anos, filho biológico de Mia Farrow e Woody Allen.