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Papa Francisco promove encontro histórico com indígenas na Amazônia

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O papa Francisco está no Peru para uma visita de três dias na qual defenderá o meio ambiente e o respeito aos povos nativos. REUTERS/Guadalupe Pardo

Francisco se reúne nesta sexta-feira (19) pela primeira vez com milhares de amazônicos em Puerto Maldonado, no sudeste do Peru, em um encontro histórico. Os índios, peruanos, bolivianos e brasileiros, esperam conseguir o apoio do papa, que receberá um simbólico presente – um arco e flecha - na defesa de suas terras.


Francisco já havia defendido os direitos indígenas na floresta em sua encíclica "Laudato si", com um texto com forte acento social e ecológico. Nele, o papa ataca a exploração da floresta amazônica liderada por "grandes interesses econômicos internacionais".

Na encíclica, o chefe da Igreja Católica aponta que a terra não é um mero bem econômico para as comunidades aborígenes, mas também "um lugar onde seus ancestrais descansam, um espaço sagrado com o qual eles precisam interagir para apoiar sua identidade e valores".

Nesta sexta-feira (19), ele deve distribuir a encíclica "Laudato si", que acaba de ser traduzida para várias línguas indígenas.

História sangrenta de evangelização

A Igreja parece estar ciente da sangrenta história da evangelização da América Latina no século 16 e reconhece que nem sempre tratou o povo da Amazônia com respeito. O papa defende projetos para ajudar os povos amazônicos a recuperarem seus costumes e sua identidade.

A região pan-Amazônica representa 43% da área da América do Sul, 20% da água fresca do mundo e 34% das florestas primárias que abrigam entre 30 e 50% da fauna e flora do mundo.

Este pulmão verde está espalhado por nove dos doze países da América do Sul, incluindo Brasil (67%), Bolívia (11%) e Peru (13%). Cerca de 3 milhões de indígenas vivem ali, pertencentes a 390 povos diferentes.

“Ver o papa pela primeira vez”

"Esperamos que o papa dê sua benção a todas as pessoas que sofrem tanto e também para parar de traficar, há muitos aqui em Puerto Maldonado", disse Stephanie Ochoa Estrada, 46, de Cusco.

"Quero ver o papa pela primeira vez", disse Javier Antonio Pisconte Injante, 50 anos, que estava sentado com sua comunidade no Coliseu da cidade, onde muitos nativos em vestidos tradicionais já se encontram instalados, esperando a chegada de Francisco. Saindo da região de Cusco, Javier Antonio levou três dias, de barco, para vir com 140 membros de sua tribo para ouvir o pontífice. "Pela primeira vez na história, estamos reunidos entre diferentes povos da Amazônia, nativos do Brasil e da Bolívia”, comemorou.

Do lado de fora do edifício, milhares de pessoas haviam sentado na frente de telas gigantes, com garrafas de água para enfrentar o calor tropical. Ameaçados pela exploração das florestas e dos recursos naturais de seus territórios, os nativos da Amazônia esperam uma mensagem forte do papa Francisco.

"Há muitas pessoas entrando (na terra) de nossas comunidades para colher a madeira", reclamou Emerita Olortegui Ortiz, 47, do norte do Peru. "Que o papa nos defenda!", concluiu. A região de Madre de Dios, de que Puerto Maldonado é a capital, está sendo atormentada pela lavagem de ouro.

Para Francisco, o evento constitui um poderoso pontapé de saída para os preparativos de sua assembleia mundial de bispos (sínodo) que será dedicada à região da Amazônia, em outubro de 2019. O sínodo se dedicará às suas populações "muitas vezes esquecidas e privadas da perspectiva de um futuro sereno ", segundo o Vaticano.