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Participação de Lula nas eleições impacta em toda a América Latina

Em nenhuma outra região o ex-presidente Lula tem mais aliados do que na América Latina. E em nenhuma outra região a condenação do petista pode ter mais consequências políticas. A tal ponto que o julgamento foi transmitido ao vivo por diversos sites de notícias e até por canais de TV. Como os vizinhos receberam a notícia da condenação do ex-presidente, nesta quarta-feira (24)?

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Lula é um ícone da esquerda latino-americana e recebeu extenso apoio de seus aliados, que repetiram em coro os mesmos argumentos do ex-presidente brasileiro: de que tudo não passa de uma perseguição política, de uma vingança da direita contra as conquistas sociais e do medo de uma derrota para Lula nas urnas.

A ex-presidente argentina, Cristina Kirchner, por exemplo, mostrou-se solidária a Lula. O presidente boliviano, Evo Morales, estreou o seu perfil no Facebook com uma mensagem dedicada ao "irmão" Lula, que segundo ele seria vítima de “um golpe judicial da oligarquia brasileira que tem medo de uma candidatura do povo”.

No Equador, o Movimento "Aliança País" do ex-presidente Rafael Correa denunciou o objetivo de impedirem a participação de Lula nas eleições. Perseguição política também é como o ex-presidente uruguaio, José Mujica, define a situação de Lula.E até o ex-jogador Diego Maradona publicou "Lula, querido, o Diego está contigo".

Também houve quem se manifestasse a favor da Justiça brasileira, mas foram poucos. No Uruguai, onde a esquerda é governo, a oposição de direita defendeu o papel do Juiz Sergio Moro.

Os referentes da oposição uruguaia disseram que a corrupção está enterrando o populismo socialista na América Latina e lembraram que a OAS também é investigada no país por uma obra abandonada. De um modo geral, as opiniões se dividiram entre a favor e contra, segundo os interesses políticos de cada um.

Líderes latinos defenderam candidatura de Lula

Antes do julgamento, os ex-presidentes do Uruguai, José Mujica; da Argentina, Cristina Kirchner; da Colômbia, Ernesto Samper; e do Equador, Rafael Correa assinaram um manifesto em defesa do direito de Lula ser candidato. Na Colômbia, o candidato a presidente, Gustavo Petro, também defendeu o regresso de Lula ao poder.

A ex-presidente Cristina Kirchner responde a uma série de processos por corrupção e quer ser candidata em 2019. A Frente Ampla de José Mujica quer o seu quarto mandato consecutivo no ano que vem no Uruguai, e o equatoriano Rafael Correa deseja voltar ao poder.

Um dos mais renomados analistas políticos da América Latina, o argentino Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos União para a Nova Maioria, explicou, em entrevista à RFI, que "se Lula for candidato, fará campanha até outubro e isso ajudará os candidatos de esquerda que disputam eleições neste ano como o mexicano Manuel López Obrador ou o colombiano Gustavo Petro”.

Se Lula ganhar, fortalece a esquerda na região. Se ficar de fora da corrida eleitoral, isso também será usado pelos aliados na vizinhança. Caso a ex-presidente argentina Cristina Kirchner seja excluída da corrida eleitoral em 2019 ou se o presidente boliviano Evo Morales for impedido de disputar um quarto mandato, as forças de esquerda na região vão argumentar o mesmo que no Brasil: que a Justiça substituiu a vontade popular e que sofrem uma perseguição, assim como Lula.

Rosendo Fraga adverte para a dificuldade de governo de um futuro presidente eleito no Brasil, caso Lula não possa mesmo ser candidato. Segundo Fraga, "vai surgir o conflito entre legalidade e legitimidade: quem for eleito, será visto como alguém com legalidade, mas de discutível legitimidade. E situações como essa geram governos que depois têm problemas de governabilidade".

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