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Democratas veem armadilha em nova proposta de Trump para "dreamers"

Casa Branca deve apresentar oficialmente na segunda-feira (29) uma proposta para a regularização da situação dos “Dreamers”, como são chamados os cerca de 700 mil imigrantes não documentados que entraram nos Estados Unidos quando ainda eram menores de idade, dos quais estima-se que cerca de 8 mil sejam brasileiros. Os primeiros detalhes do pacote de imigração causaram protestos na oposição.

Eduardo Graça, correspondente em Nova York

Na semana passada, os democratas ameaçaram não aprovar a liberação de novos fundos e, na prática, parar a administração federal a partir de 8 de fevereiro, se o presidente Donald Trump não oferecesse um plano razoável para a legalização dos “sonhadores”.

O caminho da cidadania defendido por Trump para esses imigrantes inclui pesadas contrapartidas, entre elas verbas federais de até US$ 30 bilhões para a construção do muro na fronteira com o México, uma das mais polêmicas promessas de campanha do republicano. E também uma reforma conservadora radical no sistema de imigração do país, praticamente excluindo a possibilidade de entrada nos EUA de cidadãos sem especialização acadêmica, inclusive os que já têm familiares vivendo legalmente no país. Na prática, os “dreamers”, se conseguirem a cidadania, por exemplo, não poderão pedir em seguida, como acontece hoje em dia, a legalização da situação de seus pais. O principal conselheiro de Trump na área é um ativista ultraconservador, Stephen Miller, que quer apresentar a proposta já na segunda-feira a fim de evitar um acordo mais brando em articulação no Senado.

Na quarta-feira, antes de embarcar para o Fórum de Davos, Trump conversou com repórteres e buscou tranqüilizar os “dreamers”, dizendo não haver risco de deportação de jovens que cresceram no país, muitos deles sem qualquer contato com familiares em seus países de origem. Mas ele não pretende facilitar a vida desses imigrantes e uma parte dos "dreamers" deverá receber a cidadania em um lento processo que pode durar até 12 anos.

O governo Obama criou um programa voltado para estes jovens, o Daca, que, no entanto, só segue em vigor até a primeira semana de março, por conta de uma liminar na Justiça, já que a administração republicana o considera ilegal. O registro no Daca permitiu a estes jovens cursar universidades e entrar no mercado formal de trabalho, mas justamente porque tiveram de sair das sombras, eles agora temem a represália dura do governo Trump, inclusive a deportação. Todos os dados referentes a eles estão arquivados na burocracia federal.

Democratas cobram mais garantias
 
A ala esquerda do Partido Democrata reagiu ao projeto da Casa Branca  afirmando que não irá participar de nenhum acordo que ponha em risco os familiares dos “dreamers”. O governo, por sua vez, precisa do voto dos democratas para aprovar a alocação de fundos e o financiamento da máquina pública.

No meio dessa negociação, há a sombra das eleições de meio mandato, em novembro. Os republicanos já estão acusando os democratas de preferirem os imigrantes ilegais a pagar o funcionalismo público, composto por americanos. Democratas, por sua vez, denunciam o que chamam de armadilha e chantagem de Trump, além de uma rendição da Casa Branca ao nativismo xenófobo.

Saída para a crise pode estar no Senado

Ao contrário da Casa dos Representantes, o equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil, o Senado não tem ampla maioria da ala conservadora do Partido Republicano. Ontem, um grupo de senadores moderados dos dois partidos se reuniram no que batizaram de "Coalizão do Bom-Senso" e iniciaram o rascunho de um possível projeto de lei, que não incluiria um caminho claro para a cidadania, mas proteção aos “sonhadores”.

No entanto, os deputados republicanos e senadores de linha dura de direita dizem querer expandir a proposta a ser apresentada por Trump na segunda e extinguir a loteria do "green card" (visto de trabalho), distribuída geograficamente, com o objetivo de excluir imigrantes menos especializados de países mais pobres. E este é um ponto para lá de incendiário. Afinal, foi em uma reunião este mês sobre o destino dos “dreamers” que saiu o relato de que o presidente Trump havia criticado a imigração para os EUA do que ele teria chamado de “países de merda”, que incluiriam os da África e da América Central.

As vulgaridades criaram uma crise diplomática e críticas de racismo, já que um dos exemplos de “imigração desejável” pela Casa Branca seria a de cidadãos oriundos da Noruega, uma nação com índices sociais muito melhores dos que os EUA, diga-se de passagem. O tema é tão espinhoso que paralisou o governo americano por três dias na semana passada.

Maioria dos americanos são favoráveis à legalização

A questão dos “dreamers” é especialmente delicada. Uma pesquisa da CNN na semana passada mostrou que 84% dos americanos são favoráveis à legalização dos “sonhadores”. De acordo com estimativas do próprio governo, há hoje cerca de 11 milhões de imigrantes não documentados no país e os republicanos marcharam tanto para a direita que uma anistia como a comandada pelo governo Ronald Reagan, que beneficiou quase 3 milhões de indivíduos nos anos 1980, seria impossível de ser aprovada hoje.

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