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Ataques do ELN prejudicam campanha de candidatos das Farc na Colômbia

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, avalia se irá retomar ou não as conversas com os guerrilheiros do Exército de Liberação Nacional (ELN), depois dos ataques do fim de semana que causaram a morte de sete policiais e deixaram mais de 40 feridos. A quinta rodada de diálogo visando um processo de paz com o ELN, que estava prevista para esta quarta-feira, foi suspensa. A continuidade das ações violentas gera dúvida sobre a verdadeira vontade de diálogo da guerrilha.

Andrea Domínguez, correspondente em Bogotá

O cessar-fogo que o ELN e o governo tinham pactado por três meses – em outubro do ano passado e que trouxe um alívio significativo para a população – terminou no dia 9 de janeiro sem que as partes tivessem conseguido chegar a um novo acordo para parar os confrontos. Isto em parte porque o ELN exigia que o governo colombiano reconhecesse alguns atos realizados pela polícia e o exército colombiano em 2017, como violações desse cessar-fogo. As ações militares de ambos lados recomeçaram imediatamente e o resultado, após esse último ataque contra a polícia, foi a suspensão dos diálogos.
 
O presidente Santos chamou o chefe negociador do governo em Quito, Gustavo Bell, para decidir sobre o futuro do processo. Eles dizem estar avaliando se vale a pena continuar, caso o ELN não demonstre “um mínimo de coerência entre as palavras e as ações”. Ao mesmo tempo, após reconhecer sua responsabilidade nos ataques, o ELN disse que é preciso continuar negociando em meio à guerra, enquanto um novo cessar-fogo não for pactado.

Violência pode favorecer candidatos de direita

Existe, no entanto, muita pressão por parte de alguns candidatos presidenciais e de uma porção importante da população para que o governo termine com as conversas com esse grupo armado. Há uma percepção, derivada dos índices de violência, de que o ELN não tem verdadeira vontade de diálogo. Muitos analistas políticos opinam que persistir em um processo de negociação nessas circunstâncias pode prejudicar o processo com as Farc, porque a cada ataque, a cada morte violenta no meio da guerra com o ELN, se fortalecem mais as posturas radicais de direita. Ao final, isto poderia dar um impulso importante aos candidatos presidenciais e parlamentares que têm sido contrários ao processo de paz com as Farc, como são os três pré-candidatos apoiados pelo ex-presidente Álvaro Uribe.

Ao mesmo tempo em que o processo de paz com o ELN atravessa uma grave crise, a antiga guerrilha das Farc começa formalmente sua participação na vida política com o lançamento nesse final de semana de Rodrigo Londoño como candidato presidencial. Alguns membros do ex-grupo guerrilheiro têm sido alvo de atentados.

Na semana passada, o partido político Farc denunciou que 36 ex-combatentes e militantes do grupo foram assassinados desde que foi assinado o acordo de paz em novembro de 2016. Muitos deles vêm reclamando mais intensamente, desde que foram anunciadas as candidaturas ao Congresso, que as medidas de segurança não são suficientemente fortes para lhes proteger das ameaças que estão recebendo. Por sua parte, o governo tenta dar conta da demanda de proteção, que é enorme.

Chances eleitorais de candidatos do partido Farc

O país continua dividido entre aqueles que acolhem o ingresso das Farc na vida democrática, porque sua participação na política enriquece o debate eleitoral e porque sua existência como partido e não como guerrilha significa acabar com um dos fatores geradores da violência no país, mas isso não necessariamente vai se traduzir em votos. A outra metade do país ainda não consegue aceitar a ideia de ver os antigos comandantes guerrilheiros, responsáveis por atos de guerra atrozes, concorrendo por cargos públicos e fazendo discursos nas praças das cidades como se nada tivesse acontecido. O Tribunal de Justiça Especial para a Paz ainda não começou os julgamentos.
 
O partido Farc tem uma base social ampla nos territórios afastados do poder central e tem potencial para crescer politicamente, dependendo do trabalho que os ex-combatentes fizerem nessa campanha e na sua primeira chance de exercer o poder como congressistas. Os acordos de paz dão às Farc um mínimo de dez cadeiras no Congresso durante as duas próximas legislaturas, e essa vai ser uma vitrine importante para seus militantes.

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