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Memorando contra FBI causa tempestade política nos EUA

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Democratas temem que Trump se apoie em memorando contra FBI para impedir que procurador Robert Mueller continue sua investigação sobre a suposta ingerência russa na campanha eleitoral de 2016. ©REUTERS/Win McNamee

A divulgação de um memorando do governo americano na sexta-feira (2), que questiona a integridade do FBI e de funcionários do Departamento da Justiça dos Estados Unidos, causa uma tempestade política no país. Democratas denunciam a parcialidade do documento e se preocupam com as consequências de sua revelação.


Com informações da correspondente da RFI em Washington, Anne Corpet

O memorando, redigido pelo controverso chefe do Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes, o republicano Devin Nunes, alega que o FBI cometeu abusos na aplicação do mecanismo de interceptação e vigilância da equipe de campanha do presidente americano Donald Trump, então candidato, em 2016. 

Segundo Nunes, o FBI utilizou informações do Partido Democrata para interceptar conversas de um auxiliar da campanha de Trump, Carter Page, como parte das investigações sobre a suposta interferência da Rússia nas últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos. Para o republicano, o FBI e um Departamento de Justiça estão profundamente politizado e agem com base em um forte sentimento anti-Trump.

O atual diretor do FBI, Christopher Wray, nomeado pelo presidente americano, disse ser contra a divulgação do relatório, alegando que ele contém graves imprecisões. O Ministério da Justiça também questionou a medida, temendo que o memorando represente um risco para a segurança do país, já que pode revelar métodos secretos de coleta de informação.

Já o ex-diretor do FBI, James Comey, demitido por Trump no ano passado, classificou o documento de "desonesto" e "enganandor". Segundo ele, divulgar publicamente informações secretas é "imperdoável". 

Tweet preocupante e incomum

Os democratas denunciam a parcialidade do memorando e temem que Trump se apoie nele para evitar que o procurador Robert Mueller, responsável pela investigação sobre a suposta ingerência da Rússia na campanha eleitoral de 2016, dê sequência a seu trabalho. As inquietações aumentaram depois da publicação na sexta-feira de um tweet de Trump, em que questiona a integridade dos mais altos responsáveis do FBI e do Departamento americano da Justiça.

Na publicação, o presidente americano declara que as investigações foram politizadas em favor dos democratas e contra os republicanos. "Isso seria algo inconcebível há pouco tempo", diz o tweet. 

A acusação é extremamente incomum por parte de um presidente americano, que em geral tenta preservar a imagem de todas as instituições do Estado. Questionado sobre a possibilidade de sanções contra o FBI, Trump foi reticente: "vamos ver", respondeu a jornalistas.

Trump se dobra aos interesses russos

O tweet de Trump também preocupa os conservadores. Por meio de um comunicado, o senador republicano John McCain, sem citar diretamente o presidente americano, declarou: "Os recentes ataques contra o FBI e o Departamento da Justiça não servem os interesses dos americanos, mas os de Vladimir Putin. A investigação do procurador Mueller deve continuar, sem obstrução". 

Já o jornalista americano Carl Bernstein, um dos jornalistas que revelaram o escândalo Watergate, nos anos 70, atualmente consultor da rede de televisão CNN, aconselhou o Partido Republicano a "entrar nos eixos", alegando que Trump é claramente manipulado pela Rússia e, por isso, está desestabilizando todo o país. "Se o Partido Republicano não consegue ver como Donald Trump é manipulado e como ele utiliza esse caso para evitar uma investigação legítima e prejudicar as instituições da democracia americana, então ele está nos conduzindo a uma direção que não queremos tomar", declarou.