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Venezuela Eleições Nicolás Maduro Chavismo

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Oposição venezuelana decide boicotar eleições presidenciais

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Nicolás Maduro: eleições antecipadas nas quais ele será o único candidato. REUTERS/Marco Bello

A oposição venezuelana rejeitou nesta quarta-feira (21) participar das eleições presidenciais de 22 de abril. A oposição argumenta que as eleições serão "fraudulentas", dando "aparência de legitimidade" ao presidente Nicolás Maduro, que agora tem o caminho livre para sua reeleição.


Em um comunicado lido por seu coordenador, Ángel Oropeza, para a imprensa, a coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) disse não "avalizar o que até agora apenas é um simulacro fraudulento e ilegítimo de eleição presidencial".

"Este evento prematuro e sem condições (...) é apenas um show do próprio governo para aparentar uma legitimidade que não tem, em meio à agonia e ao sofrimento dos venezuelanos", destacou.

Não obstante, a MUD deixou aberta a porta para participar das eleições se o governo oferecer, de última hora, garantias de um processo livre e transparente, como pediram no diálogo na República Dominicana, que fracassou em 7 de fevereiro.

A MUD exige como garantias para as eleições - que deveriam ser realizadas em dezembro e foram adiantadas pelo governo - observação internacional, auditorias e um Conselho Nacional Eleitoral "equilibrado".

Sem um rival de peso à vista, Maduro parece assegurar a reeleição apesar de seu governo ser reprovado por 75% dos venezuelanos, de acordo com pesquisas, devido ao colapso econômico sofrido pelo país com as maiores reservas de petróleo do mundo.

"Talvez Maduro esteja em seu momento mais fraco, mas sua força é a fraqueza, as falhas, a falta de união e de coerência da oposição. É o que lhe dá oxigênio", disse a AFP Félix Seijas, diretor da empresa de pesquisa Delphos.

Há um plano B?

Em crise de credibilidade, e tendo seus principais líderes - Leopoldo López e Henrique Capriles – cassados politicamente, a MUD debateu por duas semanas sua decisão sob pressão, pois alguns países adiantaram que desconhecerão os resultados das eleições.

Alguns dirigentes opositores, como o ex-presidente parlamentar Henry Ramos Allup, têm aspirações presidenciais; enquanto Henri Falcón, ex-governador dissidente do chavismo, parece disposto a inscrever sua candidatura com seu partido minoritário. Nenhum dos dois, no entanto, participou da conferência da oposição.

"A MUD está virtualmente liquidada. Isso significa para a oposição um grande descrédito por não ter visualizado a conjuntura e planejado uma estratégia antecipada. Seria preferível que desconheçam sua vitória a perder por não participar", disse à AFP o cientista político Luis Salamanca.

Em sua declaração, a MUD anunciou que convocará uma "grande frente ampla nacional" com forças sociais e políticas para "alcançar neste ano eleições limpas e competitivas, e conseguir o resgate da democracia".

"Se a MUD não tiver um plano, se, nos próximos dois meses, fracassar em rearticular a sociedade civil, me parece que ela vai desaparecer", opinou Seijas.

O 'golpe de misericórdia'

O governo aposta no xeque-mate. O poderoso líder chavista Diosdado Cabello anunciou nesta terça-feira que irá propor à Assembleia Constituinte, supra-poder governista que rege o país, adiantar as eleições legislativas que devem ser realizadas em 2020 para o dia das presidenciais.

O Parlamento é o único poder controlado pela MUD. "A aposta de Maduro é fazer desaparecer momentaneamente a oposição, dar-lhe um golpe de misericórdia para acabar assumindo o poder", assinalou Seijas.

No entanto, acrescentou, "o problema com a comunidade internacional continuará e irá piorar", pois é de se esperar que a antecipação das parlamentares não seja bem recebida.

“Manobra dos Estados Unidos”

O adiantamento das eleições presidenciais foi rejeitado pelos 14 países do Grupo de Lima - incluindo Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru - e pelos Estados Unidos, citando a falta de garantias para um processo livre.

De acordo com o governo, a MUD não participa das eleições por ordem dos Estados Unidos, que, na sua opinião, busca derrubar Maduro mediante um golpe de Estado e uma invasão militar apoiada pela "direita venezuelana".

Maduro, herdeiro do falecido líder socialista Hugo Chávez, assegura que tentará se reeleger com ou sem adversários. No momento, só tem dois de pouco peso: o pastor evangélico Javier Bertucci e o opositor Claudio Fermín, que não faz parte da MUD.

Com agência AFP