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Defesa e Política Externa são apostas de Trump para manter poder

Por Alfredo Valladão

Ninguém espera mais nada de Donald Trump senão caprichos e irresponsabilidade. Mas o que vem por aí pode ser muito pior. É hábito do Presidente jogar fora seus assessores como se fossem Kleenex. Mas as últimas destituições e nomeações são particularmente preocupantes.

Claro, nos acostumamos aos tuítes furiosos do Presidente, às suas iniciativas xucras, promessas disparatadas e recuos incoerentes. Mas o consolo eram os generais e personalidades sérias em postos chaves do Gabinete.

Os famosos “adultos”, capazes de gerenciar os chiliques do garotão presidencial e evitar crises irreversíveis. Só que o lourão da Casa Branca demitiu - com um simples tuíte - o seu secretário de Estado, Rex Tillerson, e desonerou o seu conselheiro de Segurança Nacional, o general McMaster. E o próximo a cair pode ser o chefe de Gabinete, o general John Kelly. Só sobra um “adulto”: o general James Mattis, secretário da Defesa.
    
O perigo agora são os novos. O antigo chefe da CIA, Mike Pompeo, amigo pessoal de Trump, vai para o Departamento de Estado e o ex-embaixador na ONU, John Bolton, fica no lugar de McMaster. Os dois são linha “duríssima” e proclamam que está na hora de entrar na porrada – econômica ou militar – com o Irã, a Coréia do Norte, a Rússia, ou a China. *

E também hora de apertar o crânio dos aliados europeus, japoneses e países emergentes, para que aceitem as regras do jogo fixadas por Washington. Bolton é o mais extremista. Bobo não é, mas para ele “America First” não basta. Melhor é: “ação militar first”.

Por enquanto, o general Mattis – que não é nenhum pacifista mas entende do babado – não está a fim dessas aventuras. Mas até quando poderá refrear Trump e seu novo gabinete de civis que acham , junto com o Presidente, que “ganhar guerras é fácil” para a superpotência americana?

Aposta em segurança e política externas de olho em 2020
    
O problema é que tudo isso tem pouco a ver com política externa. Depois de um ano caótico, Trump declarou que não sabia que governar era tão difícil e que o chefe de Estado não tinha plenos poderes. Tirante a reforma fiscal, o magnata-presidente não conseguiu emplacar nenhuma de suas grandes inciativas, todas bloqueadas ou transformadas pelo Congresso, pelo Judiciário, por autoridades dos Estados federados e pela inércia das grandes administrações.

Além disso, o inquérito do Procurador Especial sobre a ingerência russa nas eleições presidenciais de 2016, está se aproximando perigosamente do presidente, de sua família e da equipe de campanha.

O ambiente está tão ruim que o Partido Democrata, apesar de não ter ainda um projeto político crível, pode perfeitamente reconquistar a maioria na Câmara (e até no Senado), nas próximas eleições legislativas em 2018. Essa perspectiva faria de Donald Trump um “pato manco” para o resto do seu mandato.

Mas o presidente não tem o mínimo respeito pelo seu partido Republicano. Ele só está interessado na reeleição em 2020. Mas para isso, terá que mostrar para a sua fiel base eleitoral que ainda tem poder.

Estratégia de endurecimento
    
Como outros presidentes antes dele, Trump descobriu que a única área onde o Executivo é quase todo-poderoso, é a política externa e de defesa. Nada melhor de que crises permanentes no exterior para mobilizar os setores mais nacionalistas e militaristas da opinião, criar um sentimento de unidade nacional em volta do chefe de Estado e esconder a indigência da ação política doméstica.

Parte do novo Gabinete está perfeitamente afinado com essa estratégia. E as consequências já estão aparecendo: o acordo nuclear com o Irã está perigando, o encontro com o líder da Coréia do Norte pode acabar muito mal e, pior ainda para o mundo inteiro, o lourão decidiu lançar uma guerra comercial contra a China.

Pode ser só uma maneira de negociar pesado, mas o perigo das coisas descambarem para uma crise generalizada é real. Com o trio Trump, Bolton e Pompeo, ainda vem muita bala por aí.

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