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Pergunta sobre cidadania no censo americano deve diminuir repasse de verbas para os estados

Por RFI

A decisão do governo americano de incluir no censo de 2020 a questão “Você é cidadão americano?”, anunciada na última segunda-feira (26), está gerando polêmica. A mudança foi solicitada pelo Departamento de Justiça e confirma o endurecimento da política migratória americana. Há suspeitas de que o objetivo do governo seja identificar os clandestinos.

Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

De acordo com especialistas, a inclusão da pergunta deve intimidar imigrantes ilegais a participarem do censo, o que teria uma incidência direta na estimativa populacional de vários estados, afetando, consequentemente o repasse de verbas federais. A Constituição prevê que todos os moradores permanentes no país sejam incluídos nas estatísticas, independentemente da situação legal ou não.

Prevendo esse rombo no orçamento, pelo menos 11 estados liderados por Nova York anunciaram até agora que irão entrar com ação coletiva contra o governo.

O número de habitantes é um dos principais critérios usados por Washington para definir o montante destinado aos estados em seus programas federais. Dinheiro que, em sua maioria, vem do pagamento de imposto de renda, que nos EUA é coletado separadamente, em âmbito federal, estadual e municipal. A maioria dos imigrantes, inclusive aqueles sem documentos, paga algum tipo de imposto.

O risco para a Califórnia e os estados que entraram com a ação coletiva liderada por Nova York é de serem obrigados a cortar programas sociais importantes nas áreas de Saúde, Educação, Segurança, Transportes, Veteranos de guerra, pensionistas e Meio Ambiente, por exemplo.

Entre as cidades afetadas estão algumas das maiores do país, como Nova York, Los Angeles, Chicago, Boston, Seattle, Portland, Filadélfia, Hartford e Baltimore, todas com comunidades de imigrantes não-documentados, inclusive brasileiros.

Financiamento público

O censo americano acontece a cada dez anos. Além do financiamento público, o censo também ajuda a determinar o tamanho dos distritos eleitorais em cada estado.

Os dados da pesquisa, desta forma, serão os principais guias para a atribuição das cadeiras da Câmara dos Representantes e de cada assembleia legislativa e municipal em 2021. Críticos observam uma tentativa de politizar as estatísticas nacionais e de reduzir a representação dos principais centros urbanos, que contam com grande número de imigrantes, especialmente os de origem latino-americana.

Os chamados hispânicos votam tradicionalmente, em grande maioria, com os democratas. Os especialistas acreditam que até mesmo imigrantes documentados, mas que conquistaram a cidadania recentemente, pensarão duas vezes antes de responder ao novo questionário.

Governo quer quantificar eleitores

Os republicanos justificam que a pergunta é necessária para se ter mais controle sobre quem pode de fato votar nas eleições americanas. O presidente Trump afirma, mas a informação nunca foi confirmada, que milhares de imigrantes não-documentados votam ilegalmente nos pleitos nacionais e que esta foi a principal razão pela qual a democrata Hillary Clinton teve mais votos populares do que ele na disputa de 2016.

Nos EUA, como se sabe, o voto é decidido pelos colégios eleitorais e não basta ao candidato ter mais votos absolutos ao fim da contagem. O Ministério da Justiça respondeu às críticas, ontem, afirmando em nota que a nova pergunta foi necessária para “proteger os eleitores americanos e garantir eleições livres e justas”.

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