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Com novas sanções, Trump quer mostrar que não tem compromisso com a Rússia

Os Estados Unidos anunciam nesta segunda-feira (16) novas sanções contra a Rússia pelo apoio dado por Moscou à Síria. Com a decisão, o presidente americano, Donald Trump, tenta passar uma imagem de força e de ausência de relação com o governo russo - acusado de beneficiar a candidatura do republicano nas últimas eleições presidenciais americanas. 

Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York 

O anúncio das novas sanções foi feito no domingo (15) pela embaixadora dos Estados na ONU, Nikki Haley. A decisão acontece dois dias depois de Washington, com apoio da França e da Grã-Bretanha, terem bombardeado instalações militares sírias. 

O anúncio oficial das medidas - que penalizarão empresas russas que fazem negócios com os sírios - será feito nesta segunda-feira. Mas, no domingo, a embaixadora Nikki Haley passou por vários programas da televisão americana tratando dos três objetivos centrais da presença americana na Síria: derrotar o grupo Estado Islâmico, garantir que armas químicas não serão usadas novamente e enfraquecer a influência do Irã no Oriente Médio. 

A Casa Branca também refutou ontem a informação de que foi o presidente francês, Emmanuel Macron, quem teria convencido Trump de não apressar a retirada das tropas americanas da Síria. O presidente americano havia anunciado dias antes dos bombardeios de sexta-feira (13) que traria seus soldados de volta ao país o mais rápido possível. 

Tentativa de desviar a atenção

Ainda é cedo para afirmar com certeza como a opinião pública americana, quase sempre polarizada em relação a intervenções militares, reagiu aos bombardeios de sexta-feira. A justificativa do governo Trump, de que foi uma medida extrema feita para impedir novos ataques químicos contra civis, e a participação na ação de duas das maiores potências europeias, diminui a resistência dos moderados. 

Mas entre os liberais há uma enorme desconfiança de que o presidente está usando a Síria para tirar a atenção dos cada vez maiores problemas internos que enfrenta, relacionados à suposta intervenção russa nas eleições de 2016 e aos indícios de que o presidente tentou interferir no rumo das investigações do FBI para proteger seus aliados e a si próprio. 

Se comprovada a obstrução da Justiça, Trump pode enfrentar um processo de impeachment.

Entrevista de Comey degrada situação

O domingo terminou mal para Trump. O ex-diretor do FBI, James Comey, demitido pelo presidente em maio do ano passado, deu uma entrevista devastadora à rede de televisão ABC por conta do lançamento de seu livro de memórias. 

Entre outras acusações, Comey afirmou que Trump mentiu publicamente sobre não ter sugerido o fim das investigações de indivíduos próximos da campanha republicana por conta de suas relações com os russos, especialmente o ex-conselheiro de segurança de Trump, Michael Flynn. 

Comey também afirmou que Trump não tem moral para ser presidente dos Estados Unidos, trata mulheres como se fossem pedaços de carne em um açougue e mente compulsivamente. Por fim, declarou que como ex-diretor do FBI, ele não tem condições de assegurar aos cidadãos americanos que os russos não têm cartas na manga e informações comprometedoras, sobre o presidente dos EUA. 

Não por mero acaso, o jornal The New York Times, que obteve trechos da entrevista em primeira mão, publicou um editorial na edição de domingo intitulado “O presidente não está acima da lei”. Nele, o diário mais influente do planeta afirma que estão aumentando os indícios de interferência de Trump na tentativa de abafar as investigações sobre os vínculos de sua campanha com a Rússia e que deputados e senadores precisam estar preparados para responder a uma possível crise constitucional.

Rússia e Irã reagem 

O presidente russo, Vladimir Putin, em uma conversa telefônica com o presidente do Irã, Hassan Rohani, afirmou que novos ataques ocidentais à Síria trariam o caos à política internacional. Os Estados Unidos dizem que ações fora do âmbito da ONU são necessárias porque os russos bloqueiam qualquer tentativa de censura ao governo de Bashar Al-Assad no Conselho de Segurança. 

Ao mesmo tempo, Moscou e Teerã insinuam que os ataques de sexta-feira são uma tentativa velada de enfraquecer ou até derrubar o regime sírio, o que os americanos e europeus negam. 

Um comunicado conjunto do Kremlin com o Irã neste domingo informou que Putin e Rohani concordam que as ações militares ocidentais prejudicaram ainda mais as negociações para se encontrar uma solução política para a Guerra Civil Síria. Um conflito, sempre importante lembrar, que já dura sete anos e foi responsável pela morte de pelo menos meio milhão de pessoas e de quase 12 milhões de refugiados em todo o mundo, especialmente na Europa. 
 

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