rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Venezuela Nicolás Maduro Eleição

Publicado em • Modificado em

Oposição tenta boicotar eleição na Venezuela

media
Henri Falcón é o único candidato de peso que se opõe a Nicolás Maduro na eleição presidencial antecipada na Venezuela REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Menos de um mês antes das eleições presidenciais antecipadas, previstas para 20 de maio, a coalizão opositora venezuelana lançou mais um apelo para tentar boicotar o pleito. O grupo pediu nesta quinta-feira (3) a abstenção dos eleitores e solicitou aos candidatos que rivalizam com o presidente Nicolás Maduro para retirar suas candidaturas.


A Mesa da Unidade Democrática (MUD) pede que "não participem e deixem vazias as ruas do país" em "rejeição ao regime de Maduro e à fraude eleitoral", segundo o comunicado lido à imprensa pela deputada opositora Delsa Solórzano. Os partidos da MUD se negaram a apresentar candidatos, embora o opositor Henri Falcón tenha furado o boicote e decidiu se candidatar por conta própria.

"Continuamos pedindo ao senhor Falcón para que não se torne cúmplice desta farsa", expressou Solórzano, acompanhada por Omar Barboza, presidente do Parlamento de maioria opositora. Embora Falcón, dissidente do chavismo, se diga confiante em uma vitória, Solórzano garante que "Maduro vai continuar no exercício" da presidência, embora "não vá ser reconhecido por nenhum governo democrático do mundo".

Estados Unidos, União Europeia e vários países da América Latina já avisaram que não reconhecem essas eleições, por considerar que elas não dão garantias à oposição.

A MUD também reiterou seu pedido de adiar as eleições presidenciais para dezembro, quando elas tradicionalmente acontecem, cenário descartado pelo chavismo. A data foi antecipada por ordem da Assembleia Constituinte, que funciona como um suprapoder.

A presidente do poder eleitoral, Tibisay Lucena, advertiu nesta quinta-feira que a lei proíbe "desestimular o voto". Ela já havia alertado antes sobre possíveis sanções a partidos que promoveram a abstenção.

Madura acusado de comprar votos

Enquanto isso, o presidente tenta mobilizar os eleitores e prometeu uma “boa recompensa” aos venezuelanos que comparecerem no dia do voto com uma “carta patriótica”. Maduro não deu mais detalhes, mas o documento mencionado é indispensável para ter acesso a alguns programas sociais.

Para os opositores, a declaração, feita na quarta-feira (2) pelo presidente, é claramente uma tentativa de comprar o voto dos eleitores e garantir sua vitória.

As pesquisas apontam que 60% dos 20,5 milhões de venezuelanos chamados a votar não devem compareceram às urnas por desconfiança no processo.