rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Apelo ao FMI pode comprometer futuro político de presidente da Argentina

Para frear uma corrida cambial contra o peso argentino, o presidente argentino, Mauricio Macri, jogou a sua carta mais alta: voltar a pedir um empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A decisão pode compreter o futuro político do líder, que tentará se reeleger no próximo ano. 

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

O presidente Mauricio Macri enfrenta o seu momento mais crítico desde que assumiu o poder em dezembro de 2015. São horas cruciais para a economia argentina e para o futuro político do presidente.

Não há dúvida de que, com o novo apelo ao FMI, Macri vai pagar um alto custo político. A questão é quanto? E se essa jogada não der certo, qual será o plano alternativo para ser reeleito?

O presidente argentino não tinha muitas opções para conseguir tanto dinheiro, de forma rápida e a juros baixos.
 
Para o cidadão argentino, o Fundo Monetário Internacional é sinônimo de drásticos ajustes impostos ao país que derivaram em fortes crises econômicas. Se a oposição já associava Mauricio Macri ao neoliberalismo, a ida ao FMI agora reforça esse discurso opositor.
 
Um programa de ajuste será condição para a linha de crédito do FMI. Paradoxalmente, o mesmo mercado que prejudica os planos de um Macri reeleito é o mesmo que teme uma derrota de Macri nas urnas. Esses mesmos agentes econômicos temem o retorno de um governo menos amistoso aos mercados.

Negociações podem durar semanas

Segundo o próprio Ministério da Fazenda argentino, as negociações são por um crédito tradicional com o FMI, denominado Stand By. Essas negociações podem durar até seis semanas.
 
Nas últimas horas, foram reuniões técnicas e a principal acontece na tarde desta quinta-feira (10), entre o ministro da Fazenda argentino, Nicolás Dujovne, e a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde.
 
O montante do acordo teria como piso US$ 30 bilhões e seria preventivo. Ou seja: o empréstimo seria desembolsado em partes, ao longo de dois a três anos, à medida que a Argentina precisar e à medida que o país cumprir com as exigências do FMI, que devem ser por um ajuste nas contas públicas para reduzir o déficit fiscal.
 
A linha de crédito seria o sinal que a Argentina precisa enviar ao mercado para evitar uma corrida contra o peso argentino que se desvalorizou 19% desde o começo do ano e que poderia sofrer um forte ataque nos próximos dias.
 
Última cartada
 
A ideia de recorrer ao FMI ganhou força na segunda-feira (7), depois que o ministro das Finanças, Luis Caputo, informou ao presidente Macri que não haveria mais possibilidade de conseguir financiamento a taxas de juros baixas e que se gestava um ataque letal contra o peso.
 
Na próxima terça-feira (15), vencem cerca de US$ 35 bilhões em títulos públicos em pesos. A maior parte desses papeis pertence aos bancos, mas uma parte significativa pertence a particulares que poderiam receber os pesos e comprar dólares, fazendo disparar o valor da moeda norte-americana. Macri foi advertido desse risco iminente.
 
Na última terça-feira (8), em meio a uma nova corrida cambial contra o peso, o presidente conversou com Christine Lagarde, e teve um sinal também dos Estados Unidos, ambos decididos a evitar uma queda da Argentina, considerada o modelo a ser seguido na região, em contra-cara com a Venezuela.
 
A dúvida é se US$ 30 bilhões serão suficientes ou se o poder de fogo deveria ser ainda maior.

Consequências para o Brasil 

Os economistas calculam que, com a alta do dólar e dos juros, o crescimento econômico da Argentina de 3,5% previsto para 2018, poderia cair a 2%. A inflação 15% prevista para o ano poderia ficar entre 20 e 25%. Se o FMI impuser ajustes que limitem a economia, pior ainda.
 
A Argentina é o principal mercado para os produtos industrializados brasileiros como os automóveis, por exemplo. Uma Argentina que cresce menos, compra menos. E isso afeta a recuperação brasileira, ainda mais num ano eleitoral que, por si só, gera incertezas.

Refugiado deportado por engano expõe falha em política migratória da Alemanha

Novo bloqueio de Israel à Gaza aumenta temor de conflito de maiores proporções

Caos em aeroporto de Lisboa deixará Portugal com 1 milhão de turistas a menos por ano

"Nem sempre o melhor vence", alfineta capitão croata depois da final contra a França

Superação será fator decisivo na final da Copa entre França e Croácia

Trump visita May no Reino Unido mas tenta fugir dos protestos em Londres

Reforma da aposentadoria dos juízes ameaça Estado de Direito na Polônia

Secretário de Defesa americano dá prosseguimento a negociações diplomáticas em viagem pela Ásia

Fragilizada, Merkel tenta resolver conflito migratório em cúpula da UE

Com jogadores mais altos, Sérvia vai apostar em bolas aéreas contra o Brasil

Guerra comercial: EUA visam boicote ao capital chinês em empresas de tecnologia

UE visa criação de centros de triagem para migrantes fora do território europeu