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Venezuela: maioria dos países vizinhos não reconhece reeleição de Maduro

Por RFI

Depois de o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela anunciar a reeleição de Nicolás Maduro, o presidente afirmou que “se a oposição tivesse sido unida, mesmo assim estaríamos celebrando nossa vitória”.  Uma referência à oposição, que se negou a participar do pleito por considerá-lo fraudulento. Diversos países e organismos internacionais têm a mesma opinião e se negam a reconhecer os resultados alegando falta de transparência no processo.

Elianah Jorge, correspondente da RFI na Bolívia

O Panamá foi um dos primeiros países a não reconhecer o resultado das eleições venezuelanas. Já Mauricio Macri, da Argentina, pediu durante a abertura da reunião com chanceleres do G20, o grupo de países emergentes, que seja feita uma reflexão sobre da Venezuela. O presidente chileno Sebastian Piñera manifestou que estas “não são eleições limpas e legítimas, e não representam a vontade livre e soberana do povo venezuelano” e que o “Chile, como a maioria dos países democráticos, não reconhece estas eleições".

O Brasil e mais treze países que integram o Grupo de Lima, a instância multilateral criada em 2017 para buscar uma saída para a crise da Venezuela, devem tomar medidas econômicas contra o governo de Nicolás Maduro. Antes da realização do pleito, o grupo havia pedido à Venezuela que suspendesse as eleições, por considerá-las ilegítimas, carentes de credibilidade e sem garantias suficientes.

Por sua vez, o porta-voz do Departamento de Estado de Washington afirmou que as eleições na Venezuela não são legítimas. A eleição presidencial deveria ter sido realizada no final do ano, mas foi antecipada para abril deste ano e logo adiada para 20 de maio. Esta alteração do calendário aumentou ainda mais as suspeitas de fraude eleitoral, sobretudo pela próxima relação do Poder Eleitoral com Nicolás Maduro e aliados do chavismo.

Pressão dentro e fora da Venezuela

A Venezuela durante muitos anos gozou do apoio de líderes da esquerda na América do Sul. Porém durante a gestão de Nicolás Maduro, iniciada em 2013, o país foi se isolando. Maduro vive uma grande pressão dentro e fora da Venezuela. Na região, ele está acuado pelos países do Grupo de Lima, que sentem o reflexo da grave crise através dos milhares de imigrantes que chegam diariamente fugindo da degradante condição de vida na Venezuela.

De acordo com análises, pelo menos 1,5 milhões de venezuelanos migraram para 10 países do Grupo de Lima. No Brasil, por exemplo, em algumas cidades de Roraima,  estado brasileiro fronteiriço com a Venezuela, a situação é de calamidade pública. O mesmo acontece na Colômbia. Na região, Maduro ainda tem o apoio do governo do boliviano Evo Morales, do governo de Cuba e de poucos ex-presidentes da esquerda latino-americana, como Rafael Correa.

O equatoriano esteve na Venezuela para acompanhar as eleições e tentar legitimar o processo, que careceu de observadores internacionais. O ex chefe de governo José Luis Rodríguez Zapatero também foi a Caracas acompanhar o processo eleitoral e acabou sendo vaiado. Até mesmo a Internacional Socialista, organização internacional composta por líderes de esquerda, declarou que as eleições foram realizadas "com candidatos interditados, muitos deles presos e, portanto, qualquer resultado é ilegítimo".

13.000% de inflação

O país é membro da OPEP, a Organização dos Países Produtores de Petróleo, e graças a esta condição recebia o apoio de países da região com a chamada “petrodiplomacia”.  Nos últimos anos todos os índices econômicos do país caíram revelando a deplorável situação interna. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 15% e que o país deve fechar o ano com mais de 13.000% de inflação.

Uma das causas da derrocada econômica do país é a queda na produção de petróleo por causa do sucateamento da maquinaria das refinarias, que estão funcionando com um terço de sua capacidade. Apesar das dívidas com credores internacionais recentemente a Venezuela, através da estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA), comprou cerca de US$ 440 milhões em petróleo para enviar a Cuba.

A ilha ainda hoje serve de parada a integrantes do governo venezuelano que vão em busca de conselhos da cúpula cubana. O país caiu do posto de principal produtor e agora integra o grupo de países que compram petróleo, em vez de investir na compra de alimentos e de medicamentos escassos no país e uma das causas da onda migratória.

O país, que foi palco de violentos protestos durante quatro meses no ano passado, demonstrou que continua em reivindicação. Este foi o motivo da abstenção de mais de 50% dos venezuelanos que não compareceram às urnas neste domingo. A tendência é de que se intensifique a saída de cidadãos do país. No próximo dia 4 junho, o país implementará uma reconversão do bolívar, a moeda venezuelana, fator de angústia para o povo que teme perder ainda mais o poder de compra.

De acordo com economistas, esta é a forma que o governo conseguiu para aumentar o preço da gasolina, o produto mais barato do país. Por sua vez, o cerco internacional através de sanções deve aumentar como forma de asfixiar o governo de Maduro, que internamente conta com baixos índices de aprovação mas que foi reeleito para governar até 2025.

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